
Em 20 de abril deste ano, a Folha de S. Paulo publicou editorial intitulado “Em lugar nenhum” em que avaliava longa entrevista da pré-candidata a presidente, Marina Silva (Rede), ao jornal. Na edição de domingo, (21), a mesma Folha publicou uma sabatina com sete eleitores de Marina apontando prós e contras de seu discurso. O “marinês”, por óbvio, é visto com reservas. Termos como “desadaptação criativa” e “transversalidade” parecem tão impenetráveis em seu sentido quanto foi o “overlapping” do técnico da seleção brasileira Cláudio Coutinho na Copa de 78.
SIGLA SEM ESTOFO
Marina tem uma vantagem clara e não se pode negá-la: um currículo sem suspeitas do ponto de vista ético, além de sua origem humilde, mais humilde do que foi a de Lula, a contar-lhe pontos, mas a questão não é essa. Ao contrário do petista, falta à candidata uma organização partidária. A Rede, como já se viu, é uma sigla sem estofo no eleitorado, a ponto de ter encontrado dificuldades para obter o registro na Justiça Eleitoral, quando todas as outras conseguiram. Todas mesmo.
O QUE SIGNIFICA ESTAR À FRENTE?

Falta-lhe também explicar a que veio. Essa é a segunda tentativa de Marina de chegar ao planalto – ela foi vice na chapa de Eduardo Campos (PSB), depois catapultada a candidata a presidente, em 2014, e ainda parece perdida nas proposições que ensaia e repete à exaustão. Na semana passada, em Curitiba, Marina disse não ser de esquerda nem de direita, mas de “estar à frente”. O que isso significa? Ninguém sabe. A Folha de S. Paulo tentou desvendar. Esta coluna tentou desvendar.
Chegou-se a lugar nenhum.
NO LIMITE DO HERMETISMO
Há outro entrave. Contra o “presidencialismo de coalizão” – claramente fisiológico –, a pré-candidata apresenta a alternativa de um “presidencialismo de proposição”, o que se supõe seja também um “presidencialismo de conversação”, com resultados práticos e a não concessão de emendas parlamentares que agradem a um ou outro feudo político. Mas Marina não se explica direito. Fica no limite do hermetismo, do achismo, do plano rascunhado e mal esclarecido.
PERDIDA NO ESPAÇO
Indaga-se se ela mantém o que desenhou há quatro anos quando apresentou a região Oeste do Brasil carente de desbravamento e de propostas de desenvolvimento sustentável. Não se lembra de tal afirmação feita no auditório de uma universidade de Curitiba, pergunta ao repórter, quer que ele esclareça uma questão-chave de sua campanha de 2014. Parece perdida e, salvo engano, está.

TODOS PARA A MESA
A eleitora convidada a opinar diz que a grande qualidade de Marina é a disposição de “chamar todos para a mesa”. Decerto é uma qualidade, mas há o temor do quanto ela será vaga em suas propostas, do quanto se deixará levar ou ceder para conseguir que os projetos do governo passem adiante, sem triscar a programática essencial de seu governo ou comprometê-la de vez.
NEM OUTSIDER, NEM NEÓFITA
A vantagem de Marina está no seu passado político, ainda que umbilicalmente ligado ao PT. Ela não é um outsider (como João Doria) nem um neófito (como Luciano Huck, que ensaiou meter o nariz onde não devia), mas falta-lhe uma dose de realismo e, talvez, de apelo às massas. Posar de esfinge de Tebas a essa altura do campeonato, a cinco meses da eleição, parece temerário para uma candidata que, com a exclusão de Lula da lista de postulantes à presidência, aparece em terceiro lugar, brigando com o “perigoso” Jair Bolsonaro, na segunda posição.
TONS MAIS FIRMES
Ela teria o eleitor a seus pés se, por exemplo, sorrisse ou usasse tons mais firmes, não só em suas roupas, mas em seu discurso. Dizer que seu “único compromisso é com o Brasil” e que “não faz do palanque um púlpito” nem vice-versa é bonito, mas ordinário. Há um apelo necessário na política que diz respeito a corações e mentes. Assim, a crítica de Ciro Gomes (PDT) de que falta “apetite” a Marina, ele sempre armado de borduna e tacape, convença eleitores de que a pré-candidata da Rede está ali para fazer figuração e não para agarrar-se ao cargo de maior importância no Brasil com unhas e dentes, como agarrou-se à vida quando, em seu histórico de miséria e doença, doença e miséria, ela parecia fugir-lhe. Marina é uma candidata viável, mas que precisa, urgentemente, ostentar viabilidade. Assim, frágil, vai quebrar.

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GRECA TERÁ DE EXPLICAR À JUSTIÇA DEMOLIÇÃO DE CASA
(Fonte: HAUS)


O prefeito Rafael Greca (PMN) terá que se explicar pessoalmente à Justiça por demolição precipitada da casa histórica Erbo Stenzel.
Considerada por especialistas da área a residência de madeira mais emblemática da capital paranaense, a casinha rosa do Parque São Lourenço foi vítima de um incêndio parcial no dia 14 de junho de 2017 e logo em seguida foi demolida com autorização expressa do prefeito, como apurou a reportagem de HAUS à época. O depoimento pessoal de Greca deve acontecer apenas depois de apresentadas as provas periciais.
A decisão é do juiz Guilherme de Paula Rezende, da 4ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba, datada do dia 11 de maio, mas que só veio a público nesta sexta-feira (18), que atende ação civil pública do Sindicato dos Arquitetos e Urbanistas do Paraná (SindARQ-PR) contra o prefeito de Curitiba, Rafael Greca (PMN), e contra o município por danos patrimoniais.
IMPROBIDADE
Outro pedido da ação é de responsabilização do prefeito e demais envolvidos na decisão pela demolição por improbidade administrativa. Ela também pede a responsabilização civil e penal e a aplicação de uma multa que pode chegar a três vezes o valor do que for gasto na reconstrução da Casa Stenzel.
NEGOU PRELIMINAR
No despacho, o magistrado negou a defesa preliminar de Greca e da Prefeitura de Curitiba, que alegam que a casa Erbo Stenzel não faz parte do Patrimônio Cultural de Curitiba oficialmente e por isso a ação não cabe. “A despeito de a Casa-museu Erbo Stenzel não fazer parte do Patrimônio Cultural de Curitiba, […] a ação civil pública em espécie tem por objeto a proteção de bem de hipotético valor histórico, turístico e paisagístico. Guarda, pois, subsunção ao fixado pelo art. 1º da Lei 7.347/85. Pensar o contrário seria admitir que o reconhecimento de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico de determinado bem configuraria ato privativo do Poder Legislativo ou do Poder Executivo”, sentencia o juiz.
INELEGIBILIDADE?
Se condenado, Greca pode até ficar inelegível. “Além da multa pessoal para o prefeito, que ele deverá pagar do próprio bolso, essa ação pode gerar inelegibilidade. Esse é um processo de improbidade administrativa, portanto a consequência pode até mesmo ser essa”, afirma Ramón Bentivenha, advogado do sindicato.
Mais informação em: http://www.gazetadopovo.com.br/haus/arquitetura/greca-tera-que-se-explicar-pessoalmente-a-justica-por-demolicao-de-casa-centenaria-erbo-stenzel/
PARANAENSE INTEGRA COMITÊ INTERNACIONAL SOBRE BALEIAS

A pesquisadora do Centro de Estudos do Mar da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, Camila Domit, integrou parte da delegação brasileira na reunião anual do Comitê Científico da Comissão Internacional da Baleia (International Whaling Comission-IWC), realizada entre os dias 21 de abril e 6 de maio, em Bled, na Eslovênia.
SUSTENTABILIDADE
Reconhecida como uma convenção internacional, a comissão reúne pesquisadores de vários países para discutir ações de conservação das baleias e golfinhos, além de avaliar a sustentabilidade do uso desses animais como recurso pesqueiro por comunidades aborígenes/indígenas, ou mesmo de caça comercial, ainda realizada por países como o Japão.
OUTROS ESPECIALISTAS
Além da pesquisadora paranaense, a delegação brasileira contou com a presença de outros seis pesquisadores de universidades nacionais e ONGs.
Também estavam presentes representantes do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos (CMA/ICMBIO) e dos ministérios do Meio Ambiente e das Relações Exteriores. “Vários assuntos discutidos no comitê científico são de grande importância para o Brasil, pois ajudam a reforçar as políticas públicas de conservação e trazem suporte técnico para ordenamento de atividades sustentáveis em vários setores, como a pesca e o turismo”, afirma Camila Domit. Um dos exemplos foi a elaboração de guias para o turismo de observação de baleias e golfinhos e a compilação de dados científicos em bases internacionais para avaliações de impactos globais (demanda importante para espécies migratórias como diversos cetáceos).

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