A organização criminosa presa pela Polícia Federal na operação Última Milha, acusada de monitorar ilegalmente pessoas e autoridades públicas, invadindo aparelhos e computadores por meio do uso ilegal de sistemas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), tinha como um dos muitos alvos o advogado de Curitiba Roberto Bertholdo — um velho personagem da crônica política e policial do Paraná.

A quadrilha está sendo investigada desde 2023, suspeita de espionar autoridades e desafetos políticos no governo Jair Bolsonaro. Entre os adversários políticos estava Roberto Bertholdo — que sempre transitou com bastante desenvoltura entre os poderes. Bertholdo já foi preso algumas vezes — a mais recente delas em agosto de 2020, na operação Placebo, por envolvimento com a IABAS, principal organização social envolvida na corrupção da saúde.
Em 2006, Bertholdo foi detido por subornar um ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) a partir de investigações do Ministério Público Federal no caso Banestado. Ao ter a prisão decretada pelo então juiz federal Sergio Moro, que supostamente teve seu telefone grampeado pelo advogado, os dois se tornaram desafetos.
O advogado ainda foi acusado pelos crimes de tráfico de influência, compra de sentenças judiciais e lavagem de dinheiro — após ser preso pela Polícia Civil do Paraná. Antes de ir em cana, Bertholdo era conselheiro da estatal Itaipu Binacional e circulava com desenvoltura invejável nos bastidores dos Três Poderes.
“Abin paralela”
Bertholdo foi alvo da “Abin paralela” por uma suposta ligação com o então presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia e com a deputada federal Joice Hasselmann — eleita em 2018 pelo PSL de Jair Bolsonaro.
“O então diretor da Abin, Del. Alexandre Ramagem, determinou a ação clandestina para, em suma, tentar vincular o então presidente da Câmara dos Deputados Deputado Rodrigo Maia, e a Deputada Joice Hasselmann ao advogado Roberto Bertholdo”, descreve o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes na decisão que autorizou a operação da PF — que resultou na prisão de quatro pessoas.
Moraes cita ainda que “a primeira ação clandestina realizada no dia 11/10/2019 se deu com a intenção de relacionar o sr. Giacomo Romeis Hensel Trento e com Roberto Bertholdo. O advogado Roberto Bertholdo foi preso em 28/08/2020 no âmbito da ação penal que investiga irregularidades na área de saúde do Rio de Janeiro”, cita o ministro da Suprema Corte.
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