Réu é condenado por ataque com soda cáustica contra ex-companheira; defesa abandona julgamento

Advogados da outra acusada pelo crime deixaram o plenário alegando prejuízos à defesa

Informações Ric RECORD

Marlon Ferreira Lemes foi condenado a 23 anos e três meses de prisão por tentativa de feminicídio no julgamento do caso em que uma jovem foi atacada com soda cáustica em Jacarezinho, no Norte Pioneiro do Paraná. A decisão foi tomada nesta terça-feira (9), após o segundo dia de júri popular.

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Um novo julgamente deve ser marcadado para Débora Aparecida Custódio Ferreira, após os advogados abandonarem a sessão. Foto: Reprodução/Ric RECORD

Durante a sessão, os advogados de Débora Aparecida Custódio Ferreira, também acusada pelo crime, abandonaram o plenário alegando irregularidades no processo.

O julgamento teve início na segunda-feira (8) e se estendeu por mais de 18 horas e meia no segundo dia. Marlon, apontado pelo Ministério Público como mandante do ataque com soda cáustica, foi considerado culpado por tentativa de feminicídio. Ele está preso na Penitenciária Estadual de Londrina.

Já a situação de Débora, acusada de ter jogado a soda cáustica na vítima, será analisada em um novo julgamento. Após a saída da equipe de defesa, ela foi levada de volta à Cadeia Pública de Santo Antônio da Platina.

Defesa de acusada abandona sessão de julgamento

Segundo os advogados da acusada, a decisão de abandonar a sessão ocorreu após supostas violações de prerrogativas profissionais durante o julgamento. As informações são da Ric RECORD.

“Diante ao desrespeito, esta defesa não vê outra condição de continuidade deste plenário. Pela falta de condição de trabalho, nós vamos nos retirar”

afirmou um dos advogados.

A defesa alegou que não teve acesso adequado aos materiais utilizados durante a sessão.

“Nós fizemos requerimentos para que todo o material colhido ontem fosse disponibilizado por meio digital. Ele (juíz) disse que não era possível subir isso ao sistema. Nós solicitamos essa mídia e ele falou que poderíamos nos valer pelo YouTube. Tudo que será utilizado no plenário tem que constar três dias úteis no sistema judiciário para que a gente possa utilizar”

declarou.

Os advogados também sustentaram que a acusada estaria sendo prejudicada ao longo do processo.

“Essa moça não teve voz desde o início deste caso, desde a fase da investigação. Ontem tentamos tirar isso aqui, por várias vezes fomos interrompidos”

acrescentou a defesa.

O juiz responsável pelo caso afirmou que toda a documentação solicitada seria disponibilizada ao longo das horas e explicou que o cronograma foi impactado pela duração do primeiro dia de julgamento, encerrado apenas às 00h15.

Condenado por ataque com soda cáustica, réu foi apontado como mandante do crime

Durante o primeiro dia de julgamento, a vítima, Isabelly Aparecida Ferreira Moro, afirmou esperar que a Justiça responsabilizasse os envolvidos pelo ataque com soda cáustica ocorrido em maio de 2024.

“Quero que a Justiça seja feita, tanto da parte dele, quanto da parte dela. Foi bem difícil, mas acabou”

declarou.
Ataque com soda cáustica ocorreu em meio de 2024; homem condenado voltou à prisão. Foto: Reprodução/Ric RECORD

Segundo o Ministério Público, Marlon teria ordenado o ataque, enquanto Débora executou a ação utilizando soda cáustica. A vítima sofreu queimaduras e permaneceu 17 dias internada no Centro de Tratamento de Queimados do Hospital Universitário de Londrina.

Durante os interrogatórios, os dois acusados negaram as acusações. Débora afirmou que sofria ameaças de Marlon e alegou que ele teria exigido que ela tirasse a própria vida utilizando a soda. Já Marlon negou participação no crime e afirmou que nunca agrediu a companheira.

Com a decisão dos jurados, Marlon foi condenado a 23 anos e três meses de prisão por tentativa de feminicídio. O processo contra Débora seguirá separado e um novo júri deverá ser marcado para analisar a participação dela no ataque com soda cáustica contra a jovem.

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