Uma nuvem funil foi registrada no município de Santo Antônio do Caiuá, no Noroeste do Paraná, neste domingo (15). O fenômeno chamou a atenção de moradores, mas não chegou a ser classificado como tornado, já que não teve força suficiente para tocar o solo.

foto da nuvem funil registrada em Santo Antonio do Caiuá, no Paraná
O fenômeno não tocou o solo (Foto: Reprodução/Ric RECORD/Larissa Moreira/Portal da Cidade de Paranavaí)

Esse tipo de formação costuma acontecer em períodos de instabilidade atmosférica, especialmente em dias marcados por forte calor, alta umidade e intensa movimentação do ar, condições comuns na primavera e no verão.

De acordo com o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), cinco nuvens funil já foram registradas no estado em 2026. Os casos ocorreram nos seguintes municípios:

  • Ponta Grossa (09/01)
  • Paulo Frontin (11/01)
  • São Jorge do Ivaí (15/01)
  • Arapongas (17/01)
  • Santo Antônio do Caiuá (14/02)

Nuvem funil no Paraná: por que o fenômeno ocorre com mais frequência no verão?

De acordo com o meteorologista Reinaldo Kneib, do Simepar, esta é a época do ano em que estão presentes os principais ingredientes para a formação de tempestades severas: calor intenso, alta umidade e forçantes meteorológicas, como frentes frias, ciclones extratropicais ou áreas de convergência.

Esses sistemas, mesmo quando não atuam diretamente sobre o Paraná, contribuem para intensificar as tempestades. No verão, o relevo também favorece o levantamento forçado do ar, especialmente em regiões de serra e montanha, potencializando a instabilidade.

Quando há grande desenvolvimento vertical das nuvens, que podem ultrapassar 15 quilômetros de altitude, as tempestades podem evoluir para supercélulas. Dentro delas, o chamado cisalhamento do vento, que é a variação de direção e intensidade do vento em diferentes camadas da atmosfera, pode gerar rotação interna, formando mesociclones.

É nesse cenário que surge a nuvem funil: um núcleo de condensação em formato de funil que se projeta da base da tempestade devido à queda rápida da pressão atmosférica. Como não toca o solo, não é considerada tornado. Caso houvesse contato com a superfície, o fenômeno passaria a ser classificado como tornado, ou tromba d’água, se ocorresse sobre rios ou mares.

Segundo o meteorologista, a nuvem funil não representa risco direto à população em solo, mas pode oferecer perigo para a aviação.

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