O veado-bororó Bambi e a anta Jamelão, ambos filhos de mães de primeira viagem, foram os primeiros nascimentos de 2026 do Refúgio Biológico Bela Vista (RBV), e representam esperança para a conservação das duas espécies.

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Fotos: Sara Cheida / Itaipu Binacional

O veado-bororó (Mazama nana) e a anta (Tapirus terrestris) são parte do Programa de Reprodução de Espécies da Itaipu Binacional, os animais nasceram entre os dias 12 e 15 de janeiro.

Para a médica-veterinária Aline Konell, da Divisão de Áreas Protegidas, o sucesso da reprodução contínua dos animais é uma forma de Itaipu ajudar na conservação de espécies ameaçadas de extinção. Ela antecipa que, no segundo semestre, Itaipu enviará um casal de antas para uma futura reintrodução desses animais na Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro, em parceria com o Projeto Refauna.

“Com esses nascimentos, a gente consegue reforçar a população tanto geneticamente quanto em número de indivíduos, além de gerar dados científicos e protocolos de manejo que podem ajudar outras instituições que também conservam esses animais”

Em 2025, nasceram no refúgio 65 animais de dez espécies diferentes.

Segundo Aline, o manejo correto dos filhotes nos primeiros meses é crucial para garantir que eles cresçam e cheguem saudáveis à vida adulta. Quando identificam que uma fêmea está prenha, eles separam o casal e deixam a futura mamãe em um recinto especial para que ela tenha o parto nas melhores condições. Na “maternidade”, as mães anta e veado-bororó ficaram em “quartos” próximos, um de frente para o outro.

Bambi

Bambi, o veado, veio primeiro, no dia 12 de janeiro. Filho de Bambina e Skol, ele é o nascimento de número 218 na história de reprodução dos veados-bororó pela Itaipu. Em sua última pesagem estava com 998 gramas e vem ganhando peso e está com saúde.

Os veados são mais ariscos que as antas. Os principais cuidados são de observação, ou seja, cuidadores e profissionais do refúgio asseguram que o filhote mamou nas primeiras 48 horas de vida. E, depois, seguem acompanhando se ele está bem, com a cabeça ereta, caminhando normalmente e, principalmente, se está ganhando peso.

Já nos primeiros dias é feita a cura do umbigo, passando uma gaze com iodo na região umbilical do filhote para que a ferida fique limpa e cicatrize rápido, evitando a contaminação por bactérias. No início, o animal é alimentado só com o leite materno e, depois de alguns meses, passa aos poucos à dieta adulta com folhagem, frutas e ração.

Jamelão

Três dias depois da chegada de Bambi, veio o Jamelão, em 15 de janeiro. O filho da Mandioca e do Pepeu é a 36ª anta nascida no RBV e sua chegada significou alguns marcos. O primeiro é a “aposentadoria” do macho Pepeu, que já tem sua genética bastante distribuída e não vai mais participar do programa de reprodução.

O segundo, e talvez mais importante, é a constatação de que a jovem Mandioca, de apenas 2 anos e dez meses de idade, pôde ser mãe, contrariando a bibliografia que aponta a reprodução de antas a partir dos 3 anos de idade.

Aline explica que a reprodução das antas é relativamente fácil de acontecer, apesar de ser demorada: a prenhez é de 13 meses e nasce apenas um filhote por vez – a única vez que houve um nascimento de gêmeas foi em 2011, também no refúgio.

Ainda assim, além de Jamelão, as antas Ipê e Rabanete, nascidas em dezembro, e outras duas que devem chegar nos próximos meses, mostram que a fertilidade está em alta no Refúgio Biológico da Itaipu.

Veja fotos dos bebês: