Um beneficiário do Bolsa Família acabou virando ‘proprietário’ de uma empresa de ônibus com capital social de R$ 3 milhões no Maranhão. Além disso, o homem assumiu o controle destas companhias que enfrentam dívidas milionárias.

As empresas Expresso Rei de França e Expresso Grapiúna, responsáveis pela operação do transporte público em São Luís, estão atualmente em processo de recuperação judicial. Nesse contexto, a recente mudança societária chama atenção e levanta suspeitas sobre o uso de “laranjas” para ocultação de patrimônio no setor.
Como beneficiário do Bolsa Família virou ‘dono’ de empresa?
De acordo com documentos da Junta Comercial do Maranhão (Jucema), Willame Alves dos Santos adquiriu 100% das cotas da DAJP Participações Ltda no final de janeiro.
A holding é proprietária das duas empresas de transporte e integra o Consórcio Via SL. A transação ocorreu em um momento crítico, já que o grupo acumula débitos que chegam a R$ 177 milhões.
Anteriormente, a empresa estava registrada em nome de Deborah Piorski Ferreira, filha de Pedro Paulo Pinheiro Ferreira, conhecido como “PP” e apontado como o verdadeiro dono do negócio. A troca de titularidade, portanto, ocorre em meio a um cenário de crise financeira.
Willame já foi preso por aplicar golpes
No entanto, o perfil de Willame Santos não condiz com o de um empresário de grande porte. Dados do Portal da Transparência confirmam que ele recebe o Bolsa Família desde 2020, com parcelas atuais de R$ 600. Além disso, em março de 2024, ele chegou a ser preso em Fortaleza por estelionato e por portar pedras de crack.
Na ocasião, Santos foi acusado de aplicar golpes em pizzarias utilizando comprovantes falsos de Pix. Paralelamente, ele também responde a um processo por não quitar as parcelas de uma motocicleta adquirida em 2020.
Outro ponto que chama atenção é que, no registro de identidade, ele aparece como um jovem comum, sem bens declarados compatíveis com o capital social de R$ 3 milhões da holding que passou a controlar.
Investigações sobre desvio financeiro
As investigações indicam que Pedro Paulo Ferreira utilizaria familiares como estratégia para blindar o patrimônio.
Enquanto as filhas Deborah, Jessica e Adriana aparecem formalmente como proprietárias de empresas, nas redes sociais elas se apresentam como fotógrafas de moda, publicitárias e estilistas.
Além disso, há indícios de que o grupo estaria utilizando mineradoras para drenar recursos recebidos da Prefeitura de São Luís. Extratos bancários apontam repasses de R$ 1,6 milhão para uma dessas empresas em apenas três meses.
Segundo apurações, os valores teriam sido usados inclusive para cobrir despesas pessoais de “PP”.
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