O decreto da Prefeitura de Guaraqueçaba, no litoral do Paraná, que estabeleceu o “fechamento” da ilha de Superagui para turistas a partir de segunda-feira (3), foi recebido com surpresa por donos de pousadas ouvidos pela Banda B. A decisão da prefeita, Lilian Ramos Narloch, estabelece a restrição para conter o avanço da Covid-19 na região, após um surto da doença. Hotéis, pousadas, campings e similares estão com os serviços suspensos até o fim de janeiro.

Florinda Pires é dona de uma pousada e contou à Banda B que iria receber novos hóspedes ao longo desta semana e relatou preocupação com as informações que são, segundo ela, desencontradas sobre o que está acontecendo. De acordo com Florinda, não houve comunicação prévia da decisão.
“Fechou a ilha sem a gente saber e todo mundo ficou apavorado”, contou
Outra preocupação é com possíveis prejuízos financeiros, pois quem desiste da reserva solicita o ressarcimento.
“A gente fica bobo, não sabe nem o que falar para os turistas. O povo que estava vindo está vendo a notícia e desistindo e ai a gente tem que ressarcir o dinheiro, ou seja, ficou muito ruim”, desabafou.
A dona da pousada disse ainda que ainda não sabe o que vai fazer com o estoque de comida, comprado com base no número de turistas que iria receber.
“Quem vai pagar as mercadorias estocadas? A gente compra para servir os turistas e a gente tem que deixar congelado, agora a gente vai perder tudo, a gente não vai conseguir comer tudo o que compramos”, lamentou.
Outra dona de pousada, a Daniela Pereira, também reclamou que a decisão não foi comunicada com antecedência.
“Todos que têm pousada estão de mão atadas. Eu soube às 18h que a ilha foi fechada e me perguntei fechou como? O que aconteceu? Não sabemos direito o que fazer”, relatou.
Entre as regras do decreto, que já estão valendo, está o fechamento de bares, restaurantes e similares, sendo permitido apenas o atendimento via delivery e balcão; serviços considerados não essenciais, principalmente de passeios turísticos e atrações artísticas, estão suspensos; o transporte de turistas e pessoas que não residem na ilha está proibido, além de ter sido instaurado toque de recolher das 20h às 5h.
Confraternizações e eventos presenciais que provoquem aglomerações também estão proibidos, além da suspensão dos serviços dos hotéis, pousadas, campings e similares até o fim de janeiro.
Ainda de acordo com o decreto, os turistas e hóspedes deveriam ser informados sobre o novo decreto e retidos da comunidade no prazo máximo de 72 horas, estando sujeito à multa em caso de descumprimento, tanto o estabelecimento, como o turista.
A Banda B conversou com Renan Machado, que trabalha na área de tecnologia, e que esteve na ilha. Ele chegou no dia 30 e retornou poucas horas antes do fechamento, na segunda-feira (3).
“Hoje (4) quando acordei me deparei com essa notícia. Ontem (3) na hora do almoço estava tudo funcionando”, contou.
Renan disse que encontrou a ilha cheia, com campings cheios e pousadas lotadas, mas que não ficou preocupado, pois os turistas se espalhavam. Ele disse que não presenciou aglomeração, exceto no Réveillon.
“Teve festinha nos bares, confraternização, neste momento as pessoas estavam mais aglomeradas”, disse.
Ainda de acordo com o decreto, no momento há o registro de 33 casos confirmados de Covid-19 em Superagui e a infecção é comunitária.
A Banda B fez contato com a Prefeitura de Guaraqueçaba e foi informada que a prefeita, Lilian Ramos Narloch, vai se manifestar ainda nesta terça-feira (4). A Banda B deixa o espaço aberto para o posicionamento.
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