Paul Nthenge Mackenzie, ex-líder da Igreja Internacional Boas Novas, preso por matar mais de 400 pessoas em um ritual de assassinato em massa, foi acusado pelo Ministério Público, nesta segunda-feira (26), por mais 52 mortes, após a descoberta de uma vala em Binzaro, no Condado de Kilifi. As novas informações surgiram após um dos cúmplices se declarar culpado por 191 mortes.

Atualmente, Mackenzie está detido na Penitenciária de Segurança Máxima de Shimo la Tewa e enfrenta acusações de homicídio, homicídio culposo, radicalização, entre outras relacionadas a crimes contra crianças. Segundo as investigações, Paul deixava os seguidores morrerem de fome para que pudessem “encontrar Jesus”.
O macabro ritual realizado pelo religioso, denominado como “Massacre da Floresta de Shakahola”, acontecia no Quênia e veio à tona em 2023, quando Paul foi preso. Agora, as novas acusações indicam que Mackenzie, que segue detido, teria atraído vítimas por meio de bilhetes escritos de dentro da cela.
Segundo um comunicado feito pelo Office of The Director Of Public Prosecutions (na tradução livre Gabinete do Diretor de Processos Públicos), os investigadores teriam recuperado essas anotações.
O Secretário do Interior, Kithure Kindiki, alegou que Mackenzie teria contratado criminosos armados para matar seguidores que mudavam de ideia e queriam sair da seita, além daqueles que ficavam em jejum passando fome e demoravam para morrer.
“O tribunal ouviu que os investigadores recuperaram anotações manuscritas nas celas ocupadas por Mackenzie, supostamente detalhando transações realizadas por meio de telefones celulares”
explica o comunicado.
Mackenzie passa a ser acusado de novos crimes, incluindo participação em atividades criminosas organizadas, radicalização e facilitação de atos terroristas e homicídio. Segundo a promotoria, há fortes indícios de que Paul tenha planejado e supervisionado a prática dos crimes.
A descoberta de novos corpos aponta que a seita religiosa continuou acontecendo mesmo após a primeira investigação e identificação do local do massacre, além da prisão de Mackenzie.
Mackenzie foi preso em 2023, após 429 corpos, incluindo de crianças, terem sido desenterrados de valas comuns na floresta de Shakahola. Ele se declarou inocente de diversas acusações de homicídio culposo.