O idoso britânico Richard Keedwell, de 71 anos, que viralizou ao gastar R$ 150 mil para contestar uma multa de trânsito equivalente a R$ 500, voltou a ser assunto nas redes sociais após revelar que as custas processuais e despesas do caso na Justiça foram retirados da herança destinada aos filhos. O caso teve início em 2016, em Worcester, na Inglaterra, quando Keedwell foi autuado por dirigir a 35 mph (56,3 km/h) em um trecho cujo limite era 30 mph (48,2 km/h). Desde o início, o engenheiro aposentado sustentou que não excedeu a velocidade permitida.

Para sustentar a defesa, o idoso contratou um especialista em vídeo e eletrônica. A tese apresentada indicava que o radar poderia ter registrado a velocidade de outro veículo em faixa diferente ou apresentado falha técnica relacionada ao chamado “Doppler duplo”, fenômeno que, segundo ele, poderia gerar distorções na leitura.
“Incredulidade. Eu tinha quase certeza de que não havia ultrapassado o limite […] havia um Volkswagen Golf na faixa do meio da New Road enquanto eu estava à direita. Se parte do feixe de luz refletir naquele carro e atingir o meu, isso causa uma leitura distorcida da câmera”
disse Richard em entrevista ao jornal britânico Glouchestershirelive.
Idoso que gastou bolada para não pagar multa perdeu nas duas instâncias no tribunal
Mesmo com a argumentação técnica, o idoso perdeu tanto na instância inicial quanto no recurso apresentado a um tribunal superior. O processo exigiu múltiplas idas ao Tribunal de Magistrados de Worcester, além de nova análise em instância superior.
Descrevendo a experiência como desgastante, ele criticou o sistema judiciário britânico, classificando-o como falho e prejudicial às pessoas comuns. “Estou cansado de todo o sistema que está atrapalhando as pessoas comuns”, explicou.
Herança da família
Ao comentar os custos acumulados, Keedwell admitiu que o valor gasto comprometeu recursos que, no futuro, seriam destinados aos três filhos, com idades entre 37 e 42 anos. “O dinheiro provavelmente teria ido para os nossos filhos, ou talvez parte dele para o abrigo do burro, porque minha esposa adora animais – infelizmente, agora está nas mãos da polícia.”
“Eles ainda moram com os pais porque não têm condições de comprar uma casa própria”, acrescentou.
O Idoso relatou que a família teve reações diferentes diante da decisão de prolongar a disputa judicial. “O mais velho fica tipo, ‘Por que você se incomoda, afinal?’ Minha esposa está um pouco frustrada […] eles ainda moram com os pais porque não têm condições de comprar uma casa própria”, acrescentou.

Determinação até o fim
Mesmo após a derrota definitiva, Keedwell afirmou não se arrepender da escolha de enfrentar a multa na Justiça. “Eu simplesmente senti que tinha que fazer isso. Quando você já está tão envolvido, precisa continuar.”
Ele também declarou que pretende seguir buscando alternativas legais, ainda que com menor impacto financeiro.
“Vou continuar de uma forma ou de outra, mas não vai envolver milhares de libras. Uma revisão judicial é a próxima opção.” Ao refletir sobre o processo, o Idoso resumiu sua postura diante da longa disputa judicial.