Um mapeamento inédito da Urbanização de Curitiba (Urbs) realizado nos meses de maio e junho mostra que os setores de serviços e de comércio são os que mais utilizam o transporte coletivo na capital, principalmente no horário de pico.

No período da manhã (7h), o setor de serviços chega a responder por 58% do total de passageiros, seguido pelo comércio (17%), pessoas físicas (15%), indústria (4,4%), serviço público (3,4%) e agronegócio (1%).

No período da noite (17h), os serviços representam 57% do total de passageiros, pessoas físicas (16,7%), comércio (15,8%), indústria (5,4%), serviços públicos (3,4%) e agronegócio (0,9%).

Serviços e comércio respondem por mais de 70% dos passageiros no horário de pico – Foto SMCS

O levantamento, realizado pela equipe técnica da Urbs, cruzou dados do uso do vale-transporte por empregados e a CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) das respectivas empresas para ter um detalhamento sobre o perfil de uso do transporte coletivo na cidade. Os dados podem ser usados para, por exemplo, para regular o funcionamento de horários de funcionamento de determinadas atividades e reduzir o fluxo de passageiros em horários de maior movimento.

“Com a plataforma de dados, podemos identificar as particularidades do sistema e propor uma nova distribuição dos horários de entrada e saída das empresas. Desta forma, somos capazes de reduzir os picos de utilização do transporte público, além de mitigar o risco de contágio pelo novo coronavírus entre os usuários”, diz Ogeny Pedro Maia Neto, presidente da Urbs.

Para evitar aglomerações durante a pandemia, os ônibus da capital estão, desde a última segunda-feira (15/6), com 50% da lotação.

“Se calibramos também os horários das empresas teremos uma melhora significativa na distribuição dos passageiros ao longo do dia, obedecendo os protocolos de combate à covid -19”, completa.

O mapeamento

A equipe analisou o comportamento de utilização do transporte público de 48 mil empresas por atividade econômica e seus funcionários nos meses de maio até 16 de junho.

No período analisado, as concentrações de pessoas se deram às 6h (com média diária de 12.380 passageiros), 7h (13.303 passageiros) e 17h (14.704 passageiros). Do total de passagens, 72% foram pagas com cartão-transporte. Desse total, 51% são de vale-transporte.

O mapeamento também revelou o perfil do usuário por atividade. No período analisado, destaque para os que trabalham em serviços de teleatendimento (260,4 mil passageiros nos dois meses), atendimento hospitalar (260,3 mil), de operação de cartão de crédito (238,9 mil) e comércio varejista de supermercados (237,8 mil).

Simulação

O levantamento, que usa a ferramenta BI (Business Intelligence), permite fazer simulações para cada segmento e ver seu impacto por horário no transporte público.

A Urbs fez uma simulação, por exemplo, com a mudança de horário de funcionamento de três segmentos que tem grande participação no número de passageiros no sistema. No ensaio, foram alterados os horários do comércio varejista (com exceção de supermercados, minimercados, hipermercados e farmácias, que são considerados essenciais), dos serviços de teleatendimento e de operadoras cartões de débito.

O resultado preliminar prevê uma redução de até 16% no fluxo de passageiros nos horários de pico da manhã e de até 17% no da noite.

“Podemos fazer várias simulações, que serão discutidas com a Secretaria Municipal da Saúde para verificar qual o melhor caminho”, diz Maia Neto.