Por Luiz Henrique de Oliveira

Uma média de 14 novos casos por dia, a maioria por acidentes domésticos. Durante todo o ano, são em média quatro mil pessoas atendidas na ‘Ala de Queimados’ do Hospital Universitário Evangélico de Curitiba, referência no tratamento desta lesão dolorosa e traumática. Com o surgimento de aplicativos como WhatsApp e de dicas furadas, aumentou no hospital os casos de automedicação após uma queimadura, que muitas vezes podem até atrapalhar a recuperação.

Hospital Evangélico é referência no atendimento a queimados (Foto: Divulgação)

Para sanar as dúvidas do que fazer em caso deste tipo de acidente, a Banda B conversou com o cirurgião plástico José Luiz Takaki, chefe do setor de queimados do Evangélico. Inicialmente, Takaki explicou quais os principais casos atendidos na instituição.

“São casos de escaldaduras, por líquidos quentes, em acidentes domésticos; ferimentos por óleo, água, sopa, entre outros. Em segundo lugar, sempre foi a queimadura por álcool na hora de acender a churrasqueira, mas graças as várias campanhas feitas, isso reduziu drasticamente, porém não totalmente. Por fim, são os casos de queimaduras em acidentes de trabalho ou por superfícies aquecidas”, destacou.

Dicas erradas

Trabalhando há décadas no Evangélico, Takaki tem notado um aumento na automedicação em casos de queimadura, o que preocupa. “O uso da pasta de dente, que é uma lenda urbana, tem aumentado. Não se deve colocar nada em cima, a não ser resfriar com água fria em abundância. Quando dizem que melhorou por alguma dica assim, é porque era uma superfície fria, o que ameniza a dor. Não tem relação com a eficiência do produto utilizado, que inclusive pode até agravar o problema”, destacou.

Quando ir ao hospital?

As queimaduras, se não tratadas da melhor forma, podem causar complicações, especialmente pela quebra da barreira de proteção contra germes do ambiente, favorecendo a infecção das feridas por bactérias. Por isso, deve-se sempre procurar atendimento médico.

“Sempre vir ao hospital para receber o tratamento correto. Quanto mais superficial, independente do tamanho, ela é mais dolorosa. Você precisa de um tratamento, por isso deve ir ao hospital, até para evitar problemas que podem vir, como infecções”, destacou Takaki.

Principais acidentes domésticos envolvem crianças (Foto: Divulgação)

Diagnóstico correto

Segundo o chefe do setor de Queimados, acertando o diagnóstico, o tratamento será mais tranquilo. “Acertou o diagnóstico, acertou o tratamento, por isso a importância de ir ao hospital. Se não levantar bolha, é uma queimadura de primeiro grau, que sara em uma semana, se levantar, é de segundo grau, que em duas semanas estará sarada. Nestas duas a dor é intensa”, explicou.

Assim que constatada a lesão de primeiro ou segundo grau, a ferida é tampada no hospital. “Deve-se enfaixar para cessar a dor e protegê-la, com o uso de remédios pontuais. Além da dor, pode haver coceira durante a cicatrização. Se for uma queimadura de terceiro grau, mais grave, não dói porque acerta as terminações nervosas, mas há a necessidade de colocação de enxerto, em um tratamento mais delicado”, destacou Takaki, confirmando que também há casos de terceiro grau em acidentes domésticos.

Prevenção

Para concluir a entrevista, o médico fez questão de destacar a importância da prevenção. “O adulto, ele sabe do perigo, quando usa fogos de artifício e álcool para acender churrasqueira. Por isso, a principal prevenção é com relação às crianças. Elas devem permanecer longe da cozinha, que é onde acontecem os principais acidentes. Ela não ficando na cozinha, 70% de chances a menos de acontecer uma queimadura”, concluiu.

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