Por Marina Sequinel e Flávia Barros
(Fotos: Flávia Barros – Banda B)
“A democracia nunca é plena e completa. Nós não podemos nos conformar com um sistema tão desigual”, declarou o senador e ex-presidente do Uruguai, José Mujica, durante encontro para discutir política na América Latina. O evento lotou o ginásio do Círculo Militar do Paraná na manhã desta quarta-feira (27).
“Não podemos ser uma sociedade de robôs, onde se manda e obedece. Tem que haver mais tolerância, precisamos aprender a conviver com as diferenças. Esse tem que ser o papel da política, para que se exista o bem comum chamado sociedade”, disse Mujica.
Ele ainda declarou que não faz apologia à pobreza, mas que a lógica do capitalismo precisa ser questionada. “Os jovens não devem ser apenas pagadores de conta, somente pensar no consumo e transformar o tempo de vida em uma mercadoria. A luta não é só pela democracia, mas por outra civilização. Isso só vai acontecer a partir da contracultura na cabeça de cada um. Precisamos mudar o modo de agir e de pensar nesse mundo”, completou.
Para o ex-presidente do Uruguai, tanto na vida pessoal quanto na política, é preciso aprender com as derrotas e recomeçar. “Eles nos vendem os políticos como pasta de dente, com as agências de publicidade. Se isso é política, estamos fritos… É necessário entender que a escadaria do progresso não tem fim e que a alegria está em percorrer o caminho. Tenho certeza que os jovens vão construir uma democracia muito melhor do que a minha geração”, finalizou.
Mujica foi ovacionado pela plateia durante a palestra. Esse é o primeiro evento do projeto Ciclo de Diálogos Quarta Quarta, desenvolvido pelo Laboratório de Cultura Digital, do Setor de Educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), com o apoio da APP-Sindicato. O seminário quer estimular a participação política de estudantes e outros atores sociais através de três seminários temáticos realizados em julho, agosto e setembro na 4ª quarta-feira de cada mês.
Mujica
O senador e ex-presidente do Uruguai, José Mujica, foi preso político durante 14 anos por combater a ditadura civil-militar no Uruguai de 1973 a 1985. Ele nasceu no dia 20 de maio de 1935 em Montevidéu e, quando era jovem, militou no Partido Nacional (atualmente na oposição). Nos confrontos com as autoridades, levou seis tiros e esteve preso em quatro ocasiões, tendo passado 14 anos atrás das grades. Depois do golpe de Estado de 1973, fez parte de um grupo de guerrilheiros que foi alvo de torturas, tendo sido mantido isolado. Pepe, como é conhecido, recuperou a liberdade em 1985, graças a uma anistia.
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