Por Felipe Ribeiro e Luiz Henrique de Oliveira
ReproduçãoAo contrário do que aconteceu em 2016, quando tivemos um abril mais chuvoso e um período maior de dias quentes, o 2017 aparentemente seguirá com um outono e um inverno muito mais comuns para os curitibanos. A tendência, sem a atuação dos fenômenos El Niño e La Niña é de uma sequência de dias frios, com possibilidade de valores bem baixos com a chegada de massas de ar frio, a começar pela próxima quinta-feira (27).
De acordo com o meteorologista Fernando Mendes, do Instituto Meteorológico Simepar, desde o início do outono já foi possível perceber situações de resfriamento no Paraná, o que já é um sinal para que o inverno tenha mais aproximações de massas de ar frio. “Temos realmente anos que o outono e o inverno passam muito discretamente, com uma ou duas massas de ar frio, mas sem amostras no início do período. De qualquer forma, para termos uma certeza de que o inverno será muito rigoroso, ainda temos que aguardar”, disse.
Para a próxima sexta-feira (28), segundo o Simepar, há possibilidade de as temperaturas ficarem abaixo dos 6°C na região metropolitana de Curitiba. Já para a semana que vem não teremos a atuação de frente fria direta no estado, mas uma massa com centro mais intenso na Argentina deve manter as temperaturas baixas.
Pode nevar?
Segundo Mendes, ainda não é possível falar sobre, mas a chance não está descartada. “Até pode acontecer, mas de forma muito específica já no final do outono ou ao longo do inverno. De qualquer forma, é necessária uma massa de ar bastante intensa, associada a muita umidade, tendendo quase a chuva”, explicou.
Por que Curitiba é mais fria que outras cidades próximas?
Curitiba é a capital mais fria do Brasil, mas temos duas mais ao sul do país. A poucos quilômetros ao norte de Curitiba, as temperaturas são bastante altas e secas. Mas por que o tempo de Curitiba é assim?
Mendes comentou que são vários fatores, mas principalmente a altitude e a proximidade com o oceano. “Temos uma altitude em torno de 1000 metros, o que confere um padrão naturalmente mais baixo. Além disso, a proximidade com o oceano, que é onde normalmente temos um padrão de posicionamento dos sistemas de alta pressão, trazem um pouco de umidade e causam essa característica de temperaturas mais baixas, além da vegetação e outros aspectos”, concluiu.
El Niño e La Niña
Como explica o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/INPE), O El Niño é um fenômeno atmosférico-oceânico caracterizado pelo aquecimento anormal das águas no oceano Pacífico Tropical, e que pode afetar o clima regional e global, mudando os padrões de vento a nível mundial, e afetando assim, os regimes de chuva em regiões tropicais e de latitudes médias. Já o La Niña representa um fenômeno oceânico-atmosférico com características opostas ao EL Niño, e que caracteriza-se por um esfriamento anormal nas águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical. Alguns dos impactos de La Niña tendem a ser opostos aos de El Niño, mas nem sempre uma região afetada pelo El Niño apresenta impactos significativos no tempo e clima devido à La Niña.
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