Lobo-marinho flagrado nesta terça-feira em Guaratuba (Foto: Nosso Litoral)

 

O lobo-marinho de Guaratuba amanheceu nesta terça-feira (5) como nos últimos cinco dias: descansando no calçadão. O animal silvestre parece não querer deixar a praia central, o que de certa forma gera preocupação nas autoridades. Não pela demora em retornar ao Oceano, já que está no prazo normal, mas sim pelo feriado de Sete de Setembro que se aproxima.

“Ele está no período normal, de descanso, e pode ficar até várias semanas. O lobo nadou muito, por dias seguidos, e precisa descansar. O preocupante é que escolheu uma praia badalada. As pessoas precisam ter consciência que ele precisa de descanso e não pode ter stress. Por isso, nós pedidos respeito das pessoas e que deixem os cachorros distantes”, explicou à Banda B a bióloga Camila Brandt, pesquisadora do Centro de Estudos do Mar da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Lobo virou atração em Guaratuba (Nosso Litoral)

A bióloga fez questão de destacar que não existe a possibilidade do lobo simplesmente atacar as pessoas. “A movimentação das pessoas não é problema para ele, porque está acostumado com isso, vive em comunidade. O problema é se uma pessoa chegar mais perto e o incomodar. No sábado para domingo, tivemos algo neste sentido, e o lobo-marinho é um animal carnívoro, de 1,5m, bastante forte, que pode responder a esta aproximação”, afirmou.

Segundo Camila, o ato de brincar com o lobo-marinho é crime, com previsão de reclusão de até cinco anos. “Além de uma multa no valor de R$ 5 mil”, lembrou.

Ano atípico

A pesquisadora relatou também que o ano de 2017 tem sido atípico, já que não é o primeiro lobo-marinho a ser visto na orla paranaense. “Esse ano, pelo Efeito La Nina, temos correntes mais frias subindo com mais intensidade à costa brasileira, por isso eles estão aparecendo. Teve um que monitoramos em Pontal do Paraná que parecia estar mais cansado que o de Guaratuba, mas esse não ficou nem um dia por lá. O de Guaratuba é preguiçoso”, brincou Camila.

Ela relembrou ainda de um elefante-marinho, recordista em tempo de estadia nas praias paranaenses. “Um elefante-marinho, em 2017, chegou a ficar por semanas no nosso litoral até retornar para o mar”, relembrou.