Por Elizangela Jubanski

casal-dentroCasal tem um filho de 8 anos. Foto: Reproducao

A esposa do jogador morto pelo policial militar está a base de calmantes e não sabe dizer o que pode ter motivado o crime contra Gilson Camargo, 28 anos, no último domingo (17), em Campina Grande do Sul, na região metropolitana de Curitiba. Fátima Camargo e o filho de apenas 8 anos passam boa parte do dia na casa da mãe dela. “Eu estou a base de calmantes, não estou dirigindo, consegui dormir hoje, meu corpo treme o tempo todo, horrível. Meu coração está um caco, não tenho nem como explicar. Tudo me lembra o Gilson, quando entro em casa fico em pânico”, disse, emocionada, à Banda B, em entrevista exclusiva na manhã desta quarta-feira (20).

Assim como amigos e familiares, a esposa afirma que o marido não gostava de confusão, de brigas e sempre a pedia calma em momentos tensos. “Eu acredito que não tenha acontecido nada de atrito. A gente era família, participava da Igreja, eu acredito que atrito não teve, ele não tinha boca para nada. Ele gostava muito de brincar, era muito brincalhão. Pode ser que alguém tenha levado por outro lado”, defende.

Há cerca de um mês, a pedido do marido, Fátima deixou de trabalhar para se dedicar à casa. “Ele era minha estrutura, meu marido, ele que pagava as contas, que ia atrás do que a gente precisava. Agora, preciso ser forte pelo meu filho, ele me pede forças e diz que está aqui comigo para o que der e vier, sinto que meu mundo acabou, mas preciso reagir por ele”, chora.

Fátima soube por meio da entrevista que o policial militar, que efetuou os disparos contra Gilson, pode ter a prisão preventiva decretada. “Meu Deus! Que notícia boa. Aquilo foi uma versão absurda, não tem cabimentos. Jamais, nem faca ele gostava que a gente mexesse perto do Eduardo. Sempre foi um exemplo de pai, marido, amigo. Muitas testemunhas estavam lá e quais dela ficaram do lado do PM?”, indagou.

Embora a família tenha sido destruída por um ato precipitado do policial, Fátima não quer guardar rancor. “Eu não desejo mal porque a Justiça de Deus faz tudo por nós. Eu não quero guardar rancor no meu coração, preciso passar bom exemplo para o meu filho e o Gilson não iria querer que eu mantivesse esse sentimento. Quero que a Justiça seja feita e ele pague pelo que fez”,  deseja a esposa.

Notícia

A esposa de Gilson contou que estava em casa, preparando o almoço, quando recebeu a visita de três amigos do marido. “Naquele dia, o Eduardo não foi porque estava muito frio, ele ficou dormindo. Eu estava fazendo almoço e desliguei as panelas para atender os amigos dele. Meu coração notou que não era coisa boa quando eles pediram que eu levasse o Eduardo para o quarto. Estou até agora vivendo esse pesadelo”, finaliza.

O caso

O crime aconteceu em uma cancha na Rua Júlio Guidolin, no Jardim Santa Rosa, na tarde de domingo (17). O time do policial disputava uma partida contra a equipe de Gilson. Em momentos diferentes, o representante foi expulso e o policial substituído no jogo. Os dois terminaram de assistir a partida pela arquibancada. A versão do policial é que ele perseguiu o representante, em direção ao estacionamento, por imaginar que ele estivesse armado, já que andava com as mãos na cintura.

O PM atirou três vezes contra Gilson. Imagens que circulam por meio das redes sociais nesta segunda-feira mostram uma garrafa de água sendo retirada da cintura do jovem, o que negaria a versão dada pelo policial. O PM, lotado na Ronda Ostensiva Tático Móvel (Rotam) do 22º, foi levado por uma viatura até a Delegacia de Campina Grande do Sul. De lá, após depoimentos, o policial militar foi para a casa e retornou à corporação para dar seguimento ao processo, mas segue em liberdade.

Prisão

Na manhã de hoje (20), o delegado de Campina Grande do Sul, Messias da Rosa, que comanda as investigações, disse à Banda B que as provas apresentadas revelam que houve crime de homicídio. “Até agora, tudo aponta que houve uma precipitação por parte do policial militar. Infelizmente, ele usou uma arma da corporação para praticar um crime e, pelas provas materiais e testemunhas, houve um homicídio”

Com base em provas, a Polícia Civil afirmou que pode pedir a prisão preventiva do soldado lotado na Ronda Ostensiva Tático Móvel (Rotam), do 22º Batalhão da Polícia Militar (BPM), suspeito de assassinar Gilson Camargo, 28 anos.

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