Em tom de protesto e amargura, o deputado Luiz Carlos Martins disse nesta segunda-feira ao colunista Aroldo Murá, que a responsabilidade pelo acidente neste domingo (2), na BR-277, em que oito pessoas morreram e 23 ficaram feridas, recai sobre a Ecovia, concessionária que administra a rodovia.

– A tragédia é pura responsabilidade da detentora da concessão do pedágio. No caso, a Ecovia/ EcoRodovias, grupo que, parece, só está interessado na máquina de fazer dinheiro. Para ela, vidas humanas não importam.

8 pessoas morreram no acidente na BR-277 (Foto: PRF)

“TIRAR ROUPA DE CORDEIRO”

Ao jornalista Aroldo Murá, o parlamentar afirmou que  “é preciso a sociedade se movimentar. Temos de nos despir da pele de cordeiro e aprender a lutar contra injustiças”. Isso não é bandeira “perigosa”. “É bandeira cristã, de justiça, que pode nos encaminhar para sermos uma Nação com vez e voz de uma vez por todas.”

NÃO FUGIR DA RESPONSABILIDADE

Luiz Carlos Martins argumenta o porquê da responsabilidade da Ecovia:

“A empresa fatura milhões de reais todos os dias com a concessão. Tem, assim, de garantir o mínimo de segurança aos usuários do serviço de que é concessionária. Não há como esconder o relaxamento da empresa, que poderia prever para prover segurança. É questão de planejamento, que a empresa não exercita para atender ao bem comum.

Deputado Luiz Carlos Martins. Foto: Orlando Kissner/Alep

“TINHA DE PREVER PARA PROVER”

E faz uma observação contundente:

– Veja: a Ecovia sabe, há dezenas de anos, que esta é época, inverno, é caracterizada por constantes queimadas. Queimadas, com a neblina, estando mais forte na temporada, fazem o combustível “ideal” para um macro e doloroso desastre, como esse de domingo.

SÃO CIDADÃOS DO MUNDO

Enquanto lamenta o número de mortes já registradas, Luiz registra: “Deus permita que novas mortes não ocorram, dentre os hospitalizados”.

E afirma, categórico: “Os donos da Ecovia são cidadãos do mundo, internacionais, até alguns deles vivem na Europa. Eles sabem que rodovias, pedagiadas têm de apresentar sinalização suficiente e boa sobre possíveis causas de acidentes. Fumaça e neblina são – e foram neste caso – potenciais vetores de desastre. É a questão de previsão, que anda junto com o planejamento…

HÁ JURISPRUDÊNCIA

Por último, o deputado disse-se disposto a assumir a bandeira das vítimas e suas famílias, em busca de responsabilizar a Ecovia. E garantiu: “A mim, me parece direito líquido e certo o ressarcimento material dos prejuízos. O TJ-SP já formou, por exemplo, jurisprudência sobre o assunto.”

E encerrou lamentando: “Mas quem devolverá as vidas e as trajetórias interrompidas pela incúria de uma empresa que recebe por serviços que não está entregando?”

NOTA DE PESAR E ESCLARECIMENTO

A Banda B procurou a assessoria da Ecovia. Segue a nota da concessionária na íntegra:

“A concessionária Ecovia Caminho do Mar, empresa do grupo EcoRodovias que administra o trecho Curitiba-Litoral da BR-277, além das PRs 407 e 508, lamenta o grave acidente registrado na noite de ontem (02) no km 77 da BR-277 e se solidariza com as vítimas e seus familiares.

Conforme comunicado emitido pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), o acidente ocorreu por volta das 22h20, na BR-277, no km 76, sentido litoral, em São José dos Pinhais.

A visibilidade na rodovia ficou prejudicada em função da fumaça gerada por uma queimada fora da faixa de domínio, próximo à BR-277. Isso gerou colisão entre alguns veículos que, em seguida, desocuparam os veículos e permaneceram na rodovia. Uma carreta não conseguiu frear e atropelou algumas destas pessoas, colidindo também com alguns veículos que estavam no local.

Todas as equipes de plantão da empresa foram imediatamente mobilizadas no atendimento às vítimas e no apoio à Polícia Rodoviária Federal, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros. Foram removidos do local 23 veículos, sendo 15 de passeio, cinco motocicletas, um caminhão e uma viatura da Polícia Militar, com a liberação total do tráfego realizada às 5h00 desta segunda-feira (03).”