Por Denise Mello e Daniela Sevieri

Protesto na UP reuniu centenas de estudantes – Foto: Colaboração Banda B

Cerca de 500 alunos da Universidade Positivo, segundo os organizadores,  se reuniram na noite desta terça-feira (9) em uma manifestação pacífica por mais segurança dentro do campus, no bairro Campo Comprido, em Curitiba. O protesto aconteceu em razão de um estupro ocorrido dentro da UP, no último dia 18. Uma aluna de 19 anos foi arrastada para uma região escura e violentada por dois homens. Traumatizada, ela deixou de frequentar as aulas e só contou para a família duas semanas depois da violência. A polícia investiga a denúncia.

A manifestação desta terça foi organizada pelos estudantes logo após o caso vir à tona. Com apitos, os universitários caminharam pelas ruas do campus pedindo mais segurança e também que a justiça seja feita no caso do estupro da aluna. “Estamos aqui para conscientizar a todos sobre o crime de estupro que aconteceu dentro da UP e também para pedir por mais segurança, mais rondas e mais iluminação. Estamos engajados nesta causa para que a direção da universidade enxergue a importância deste movimento”, disse a universitária Ana Clara Colemonnts.

Lago do campus foi tomado por tinta vermelha

Os estudantes também jogaram tinta vermelha no lago do campus, em sinal da violência cometida no local e colocaram cartazes em protesto contra a falta de segurança. O grupo também entoou frases como “Não é culpa dela” e “Oh mulherada, não se reprime, estupro é um crime” (assista aos vídeos abaixo)

Após a violência dentro da UP, alunas estão com ainda mais medo de andar pelo campus. “Nós percebemos que as pessoas estão pegando mais táxi ou Uber para voltar para casa, os namorados e conhecidos estão dando carona, esperando do lado de fora do bloco. Uma menina inclusive me contou que passou sozinha pela ponte onde o caso aconteceu e morreu de medo. Se as mulheres já estavam preocupadas com esse tipo de violência, agora é muito pior. Sabemos que pode acontecer de novo e só queremos nos sentir seguros”, comentou a aluna, que é representante do Coletivo Alzira, que marcou o protesto desta terça-feira.

Os seguranças da universidade apenas acompanham a manifestação.

Post com o retrato falado dos estupradores – Reprodução

O caso

O crime aconteceu no dia 18 de abril, por volta das 21h. A jovem, no entanto, só informou a família e registrou Boletim de Ocorrência no dia 3 de maio por causa do medo e do trauma, segundo a polícia.

Um retrato falado dos dois estupradores com base na descrição da vítima já circula nas redes sociais. Um tem a idade aproximada de 25 anos e o outro de 30.

De acordo com o relato à polícia, a estudante atravessava uma das passarelas do prédio quando foi atacada pelos homens. Eles taparam a boca da jovem e a levaram para um matagal, onde a estupraram.

Universidade

Por meio de nota oficial, a Universidade Positivo afirmou que está colaborando com as autoridades para esclarecimento dos fatos e que prioriza o acolhimento e o atendimento à aluna e a família dela.

A instituição disse também que criou um comitê para estudar possibilidades de melhoria na estrutura de segurança, com participação de especialistas e representantes de alunos e funcionários.

Assista aos vídeos do protesto (Colaboração Banda B):

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