Por Denise Mello e Antonio Nascimento

imagem motoristaMotoristas e cobradores de algumas empresas não receberam o vale nesta segunda-feira – Foto: Sindimoc/Arquivo

Após quatro meses de pagamentos em dia, algumas empresas de transporte coletivo de Curitiba e região Metropolitana voltaram a atrasar o pagamento do adiantamento salarial de 40%, o chamado ‘vale’. De acordo com o Sindicato dos Motoristas e Cobradores (Sindimoc), cerca de dez das 32 empresas que integram o sistema não fizeram o pagamento nesta segunda-feira (20), data-limite para o depósito. Um levantamento oficial de quais empresa estão em atraso deve ser divulgado ao longo do dia.

“É um absurdo a categoria ter que conviver de novo com este descaso das empresas. Em fevereiro, o Tribunal do Trabalho estabeleceu multa de R$ 1 milhão para as empresas que atrasassem o vale. Durante quatro meses pagaram em dia e agora voltaram a atrasar. Sabemos, inclusive, que algumas também atrasaram o vale-alimentação na semana passada”, afirmou o vice-presidente do Sindimoc , Dino Cézar, à Banda B.

Segundo Cézar, a maioria das empresas que não fizeram o pagamento do vale ontem é de Curitiba. “Vamos apurar ainda quais não pagaram, mas já sabemos que grande parte das empresas da região metropolitana fez o pagamento em dia. Hoje, estamos acionando a Justiça para exigir o pagamento. Se não for feito, vamos convocar assembléia e decidir os próximos passos da categoria”, completou.

O vice-presidente do Sindimoc não fala, por enquanto, em greve do transporte. “Neste primeiro momento preferimos confiar na Justiça para corrigir este descaso das empresas ainda hoje. Vamos aguardar”.

Os atrasos no pagamento dos adiantamentos salarias, previstos na Convenção Coletiva de Trabalho para todo o dia 20 do mês, começaram no final do ano passado. Após várias ameaças de greve, a situação foi regularizada em março deste ano, quando não ocorreram mais atrasos.

Ameaça

A última ameaça de greve dos motoristas e cobradores de Curitiba aconteceu em junho quando, em uma reunião no Ministério Público do Trabalho (MPT), sindicato e empresas cederam para que não acontecesse uma paralisação. O motivo da ameaça foi uma série de demissões de trabalhadores que seriam ligados ao sindicato. O Setransp, sindicato patronal ligado às empresas de ônibus, se comprometeu a suspender novas demissões de dirigentes sindicais. Em contrapartida, o Sindimoc retirou o indicativo de greve.

Urbs está em dia

A Urbs (empresa que gerencia o sistema de transporte de Curitiba), informou por meio da assessoria que todos os pagamentos às empresas estão em dia. Foi informado que, inclusive, de fevereiro até junho, a empresa fez dois termos de ajustamento de conduta com as empresas, com a intermediação do Ministério Público do Trabalho, o que representou uma antecipação de receita na ordem de R$ 20 milhões para as empresas. Por isso, a Urbs não entende a razão do atraso no pagamento do vale por algumas empresas de ônibus.

Empresas

O Setransp atribuiu os atrasos em algumas empresas a falta de definição da tarifa técnica pela Urbs. Segue a nota:

O Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) vem a público para negar qualquer intenção deliberada de não honrar seus compromissos. A entidade está em conversas permanentes com o poder público e seus colaboradores para que a população de Curitiba e Região Metropolitana não seja afetada.

O Setransp lembra que desde 26 de fevereiro aguarda a definição, contratualmente assegurada, da nova tarifa técnica. Portanto, faz praticamente cinco meses que as empresas cumprem com suas obrigações sem essa definição. Nesse período, houve alta de custos de pessoal, benefícios, encargos sociais, terceirizados e insumos, como o óleo diesel, lubrificantes, pneus, peças, entre outros.

Como ainda não ocorreu a definição da tarifa técnica, as empresas tiveram dificuldades para administrar o fluxo de caixa e realizar o pagamento dos insumos básicos. Portanto, todo recurso recebido é utilizado para honrar compromissos emergenciais, sob o risco de paralisação do sistema, até mesmo por falta de combustível.

O Setransp lamenta toda essa situação e informa que suas filiadas estão envidando todos os esforços para realizar o pagamento de seus colaboradores o mais rápido possível, a fim de evitar qualquer transtorno à população”.

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