Por Felipe Ribeiro
Foto: SMCSO presidente da Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas (Abrabar), Fábio Aguayo, criticou nesta segunda-feira (15) o pedido da Promotoria de Justiça de Proteção ao Meio Ambiente de Curitiba de “fechar” a Praça da Espanha no período noturno. Em entrevista ao radialista Geovane Barreiro, Aguayo disse ver com “preocupação” a ação civil pública, uma vez que estamos vivendo um mundo de discriminação e separação dentro da sociedade.
“Isso é uma coisa do passado, precisamos integrar mais as coisas, ter uma convivência mais em harmonia, ter mais policiamento. Eu acho que não é bom cercar praças aqui em Curitiba, precisamos de uma maior integração da iniciativa privada do nosso setor com o poder público e não concentrar iniciativas apenas em uma região da cidade, todas precisam de um olhar atento”, disse Aguayo.
Na ação, o Ministério Público pede o fechamento da Praça da Espanha das 23h às 7h. A Promotoria aponta que, em setembro de 2015, proprietários de lojas, bares e restaurantes, moradores e funcionários de hospital da região apresentaram um abaixo-assinado com mais de mil assinaturas relatando uma série de problemas ocorridos na Praça e solicitando providências dos órgãos públicos. Os moradores e trabalhadores da região contam que durante as noites e madrugadas, principalmente entre quarta-feira e domingo, a Praça da Espanha se transforma em ponto de encontro de “meliantes e vândalos”, que se juntam para o uso excessivo de bebidas alcoólicas, depredação e pichação dos bens públicos, roubos, furtos, perturbação de sossego, uso de som automotivo em alto volume e prática de “rachas”, além de tráfico e consumo de drogas.
Para Aguayo, a ação evidencia um olhar ‘seletivo’ das autoridades quando opta por uma ação como essa apenas em áreas nobres. “Isso está na cara e não pode acontecer. Estamos vivendo um momento em que de um lado fica quem tem e do outro, quem não tem. Eu fico triste, uma vez que esse pedido está fora de tempo. Agora temos a Balada Protegida, temos a Ação Integrada de Fiscalização (Aifu). Vivenciamos uma crise, em que pessoas não têm dinheiro para consumir nos estabelecimentos e compram no supermercado. Óbvio que se infiltram pessoas que não tem responsabilidade, mas aí temos que separar o joio do trigo”, explicou.
O presidente da Abrabar cita o Largo da Ordem, a Rua Trajano Reis e a Rua São Francisco como locais que necessitam de maior atenção das autoridades públicas.
Prefeitura de Curitiba
Em nota, a Prefeitura de Curitiba disse que tem atuado na Praça da Espanha e no comércio da região, com objetivo é garantir a segurança dos frequentadores e dos comerciantes. Confira a nota na íntegra:
A Secretaria Municipal da Defesa Social e Trânsito fez, desde o início do ano, 19 operações do programa Balada Protegida. Em 18 delas foi incluída a Praça da Espanha, que atualmente é endereço fixo da operação realizada pelo menos uma vez por semana. O local recebe, ainda, o patrulhamento da Operação Parques e Praças Protegidas, da Guarda Municipal, nas tardes de sábado e domingo. Desde março foram feitas três operações.
Segundo a Secretaria Municipal de Urbanismo, no âmbito do código de posturas da cidade, a grande maioria do comércio funciona de forma regular. Há apenas um estabelecimento sem licença ambiental e sem alvará, cujo funcionamento já está sendo discutido na Justiça. A última incursão da equipe de fiscalização no local foi no último sábado (13).
Em relação aos cuidados com o espaço, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente informa que a cada 30 dias equipes fazem ações completas de limpeza e roçada. A fonte está em manutenção, já foi limpa, será pintada e deve voltar a funcionar ainda neste mês. Também está prevista a limpeza e pintura do Farol, em parceria com a Fundação Cultural de Curitiba.
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