A disputa presidencial não deve gerar tantas surpresas nas eleições de 2022. É quase certo o embate entre Lula e Bolsonaro com a vitória de um dos dois candidatos para chefiar o Palácio do Planalto pelos próximos quatro anos. Diante deste quadro, as organizações partidárias não encontraram outro caminho senão focar seus esforços e recursos nas campanhas legislativas, para os cargos de Deputado Federal e Senador.

Esse movimento tem ligação direta com o próximo governo que se aproxima, sendo que o controle da Câmara dos Deputados e do Senado Federal é algo extremamente importante para definição da agenda e orçamento do futuro presidente da república. Tanto Lula quanto Bolsonaro terão a necessidade de dialogar com o Congresso Nacional para superar os próximos desafios que se aproximam.
Lula tem experiência na articulação com o Congresso, tendo em vista seu alto índice de aprovação de agenda durante os dois mandatos presidenciais, em que o candidato conseguiu implementar realizações e sair da presidência com alto índice de popularidade. Lula tem ao seu lado um dos maiores partidos do Brasil, o PT, que sempre figura entre as principais bancadas do Congresso Nacional, mas, dessa vez, o candidato terá que negociar com os partidos do centrão, que, até agora, apoiam a candidatura de seu adversário.
É bem possível que se Lula sair vencedor da disputa, terá uma bancada pequena entre os partidos que dão apoio à sua candidatura: PT, PSB, PSOL, PCdoB, PV, Rede e Solidariedade, cabendo ao candidato articular com partidos como MDB, PSD e do centrão. Essa articulação terá um custo alto, possivelmente um aumento na interferência do Poder Legislativo nas questões orçamentárias e cargos ministeriais de grande relevância no próximo governo.
Bolsonaro perde em intenções de votos, mas ganha em apoios à sua candidatura, tendo em vista que conseguiu gerar uma grande articulação entre as principais bancadas do Congresso Nacional, com destaque para PP, PL e Republicanos. Além disso, Bolsonaro tem vantagem em partidos como União Brasil, NOVO e PSDB, que têm candidatos de posicionamento conservador e com certa resistência às visões políticas de Lula.
O grande problema de Bolsonaro é sua dificuldade de articulação junto ao Congresso Nacional. O atual presidente tem pouco traquejo com deputados e senadores, o que pode transformar aliados de primeira ordem em adversários em um curto espaço de tempo. Um dos indícios foram os dois primeiros anos de mandato do presidente, quando as dificuldades de aprovação de agenda foram custosas para seu governo, principalmente com a resistência que tinha em dialogar com o centrão. É muito possível que se sair vencedor da disputa, Bolsonaro não terá o mesmo apoio do Congresso Nacional que conseguiu no primeiro mandato, e terá uma cobrança muito maior por parte do Legislativo.
O Congresso Nacional que será eleito em 2022 tende a ser diferente de 2018. Teremos a retomada de candidaturas mais tradicionais que tinham ficado de lado nas últimas eleições. As bancadas ligadas às forças militares, os candidatos inexperientes e candidatos ligados aos movimentos anticorrupção tendem a não ter a mesma força que tiveram nas últimas eleições.
As candidaturas fortes de Lula e Bolsonaro para a presidência da República fizeram com que partidos como PSDB, MDB, PSD e União Brasil investissem todas suas fichas e recursos nas eleições legislativas, o que possibilitará um aumento de bancada dessas siglas. O Congresso de 2022 será mais experiente, repleto de políticos tradicionais e cobrará o preço de seu apoio político para qualquer que seja o próximo presidente.
*Francis Ricken é advogado, mestre em Ciência Política e professor da Escola de Direito e Ciências Sociais da Universidade Positivo (UP).
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