Em uma reunião tranquila, o Conselho Deliberativo do Coritiba aprovou a venda da Sociedade Anônima do Futebol para a Treecorp na noite desta terça-feira (30). Como previsto, a oposição ao acordo foi muito pequena, e a SAF foi ratificada com 184 dos 187 votos – dois votaram contra e um se absteve. O próximo passo já é nesta quarta (31), com a Assembleia Geral dos sócios, que votarão de forma online.

Dentro do Conselho, onde os integrantes já sabiam todos os detalhes do acerto entre Coritiba e Treecorp, a reunião teve um clima de ‘refundação’ do clube – termo usado pelo presidente em exercício Glenn Stenger em entrevista ao ge. A diretoria novamente defendeu que apenas a SAF pode fazer do Coxa um clube competitivo, frente ao aumento sucessivo dos investimentos no futebol brasileiro.

Foi esse cenário que levou a Treecorp para o mercado. A escolha do Coritiba veio após uma avaliação dos ativos e passivos do clube, intermediada pela XP Investimentos. “Ficamos intrigados quando vimos dois fundos americanos comprando dois clubes cariocas e nos aprofundamos nesse tema“, disse Bruno Levi D’Ancona, principal sócio da Treecorp. A empresa é a primeira brasileira a adquirir uma SAF.

Coritiba lidera “segunda onda”

Para especialistas, a venda do Coritiba para a Treecorp abre uma ‘segunda onda’ das SAFs no Brasil. “Sob uma ótica puramente transacional, a grande mensagem que essa negociação passa é que o investidor brasileiro entra na briga pela aquisição dos clubes, o que é um fato importante para o desenvolvimento do futebol local”, diz Eduardo Carlezzo, advogado que auxilia a transformação do Atlético-GO para empresa.

A Treecorp promete investir R$ 1,3 bilhão no Coritiba nos próximos dez anos. O impacto direto é na quitação total das dívidas do clube. Outro valor fechado será dedicado à reforma completa do Couto Pereira. Outra obra prevista em contrato é a do novo CT. E, o que mais interessa ao torcedor, a previsão é de 450 milhões de reais para o departamento de futebol propriamente dito. CT e futebol são obrigações contratuais da Treecorp. Para esta janela internacional de transferências, a SAF deve investir no mínimo R$ 30 milhões em contratações.

Coritiba e Treecorp.

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