Paulo Autuori tem contrato com o Atlético até o final da temporada. (Monique Vilela/Banda B)

O gestor técnico do Atlético, Paulo Autuori, confirmou que pretende continuar com o técnico Fabiano Soares para a próxima temporada caso também renove seu contrato. Em entrevista ao blog ‘De Prima’, do Lance, o dirigente cobra continuidade no trabalho do atual comandante atleticano, mas revela que tem propostas para voltar a treinar outros times fora do Brasil.

Faltando menos de dois meses para o término de seu contrato, Autuori admite conversas com a diretoria para continuar no Atlético e que ainda está pensando o que será de seu futuro para 2018. “Falar de 2018 é complicado porque meu contrato com o clube termina agora, em dezembro. Também estou a pensar sobre que vai ser o meu futuro. Tenho algumas propostas para sair, voltar a ser técnico fora do Brasil, mas há um interesse do clube”, declarou.

“Vou sempre falar bem do Atlético. Meu contrato termina em dezembro. Logicamente, ficando aqui eu tenho autonomia. E o futuro não tem que ser mudado em nada. Há de se ter continuidade. Não vou fazer alguma coisa da qual eu sou crítico. Vou sempre dar apoio. Os técnicos têm que parar de ser os únicos culpados. Vou trabalhar nesse sentido. Mas repito, temos conversado sobre renovação do meu contrato, mas ainda não posso cravar absolutamente nada”, comentou o dirigente.

O dirigente ainda desconversou sobre qual seria os clubes interessados em contrata-lo para o ano que vem, mas descartou que sejam da Europa. “O único treinador que pode pensar em treinar fora do Brasil, na Europa, é Tite. Não por falta de qualidade ou capacidade, mas é como o mercado vê os treinadores brasileiros”, disse.

Reviravolta em sua permanência

Logo após a demissão do técnico Eduardo Baptista, em julho, Autuori também pediu para sair do Atlético, mas retornou ao cargo em somente 10 dias. O gestor técnico explicou o motivo de seu desligamento e negou qualquer problema de relacionamento com a diretoria após o episódio.

“Minha relação é excepcional com a direção. Aquela situação foi de algo que eu me prometi: ao iniciar o ciclo de treinador, ele tem que acabar. Quando é interrompido no meio, eu também saio porque a responsabilidade não é só do treinador. Todos os treinadores precisam de alguém que possa estar ao lado deles, blindar em alguns momentos. A vida de técnico é de muita exposição. Eu me propus a isso. Toda vez que acontecer algo assim, vou ter a mesma atitude”, afirmou o dirigente.

Rusgas com a torcida

O Atlético vive um problema de relacionamento com a torcida e o último acontecimento dessa história foi a crítica de Autuori após as vaias ao jovem José Ivaldo durante a partida contra o Sport, no último dia 22 de outubro. Na ocasião, o zagueiro improvisado na lateral-direita cometeu pênalti e passou a ser criticado por torcedores na Arena da Baixada.

Depois da partida, o dirigente se revoltou com as vaias e defendeu o atleta vindo das categorias de base. Agora, ele reforça o seu discurso e garante que talentos são desperdiçados com atitudes iguais a dos torcedores atleticanos. “Isso é um grande problema no futebol brasileiro porque você desperdiça talentos por isso. Posso assegurar que, no mundo top do futebol, os caras fazem contrato de cinco anos e só decidem se o cara vai ficar em três anos. Aqui, em dois jogos, é herói ou é vilão”, falou.

“O problema da torcida é que o clube é forte na tomada de decisão em relação à organizada. Até porque uma coisa é torcida e outra é bandidagem. Tem que parar com essa palhaçada de invadir treino, o local de trabalho. Coisa desportiva tem que ser tratada desportivamente. Tem que ter alguém com coragem para acabar com esse negócio que fizeram com o Botafogo, ir no aeroporto. Bandidos só se garantem porque estão bando. Sozinhos não fazem nada. Tem que ter alguém com coragem para tomar decisão. E isso foi feito aqui. Ainda tem a biometria, que é o caminho do futuro e sem volta. São medidas impopulares no momento, mas coisas que serão importantes no futuro”, finalizou Autuori.