O Athletico conheceu, na noite da última segunda-feira, o seu grupo na Libertadores da América de 2023. Ao lado do Atlético-MG, do Allianza Lima-PER e do Libertad-PAR, o Furacão terá a missão de garantir uma das duas vagas do Grupo G para avançar ao mata-mata e lutar pela inédita taça. Porém, desde ontem, o debate entre os rubro-negros é: o Athletico deu sorte ou azar no sorteio?
Em termos geográficos, deu sorte. O Furacão será o time brasileiro que menos precisará se deslocar para encarar os seus rivais. A pior viagem é até Lima, capital do Peru, para encarar o renomado Alianza Lima de Hernán Barcos. No mais, há viagens curtas para Assunção (jogo contra o Libertad) e Belo Horizonte, para o duelo nacional contra o Atlético-MG. No total, serão aproximadamente 13 mil quilômetros percorridos nestas três partidas na condição de visitante.
Porém, na questão técnica (que é a que mais importa), é nítido que não será um grupo fácil para o Athletico. Por razões óbvias, o encontro com o poderoso Atlético-MG logo na fase de grupos não era algo desejado por ninguém. O Galo possui um elenco forte, um técnico experiente em Libertadores e a iminência de jogar em sua própria Arena. Por esta qualificação, o time de Hulk, portanto, se credencia como um candidato ao título e um obstáculo que o Athletico terá de superar. Porém, um fator anima os rubro-negros: neste momento, o Furacão tem plenas condições de infernizar a vida do Galo, pois possui um elenco tão competente quanto o dos mineiros. A disparidade técnica e emocional vista nas finais da Copa do Brasil de 2021 não existe mais.
Passando pelo obstáculo do Atlético-MG, analisar Libertad-PAR e Alianza Lima-PER tendem a ser mais tranquilos para o Furacão. Isso não quer dizer que os paraguaios sejam bobos. No ano passado, foram quatro jogos entre os times e um saldo positivo ao CAP (com direito a vaga nas quartas de final em solo paraguaio). Atrás dos brasileiros, o Libertad é o que possui maiores chances de vaga. Porém, se tudo acontecer dentro do previsto, deve se contentar com uma vaga na Sul-Americana e uma eliminação na Libertadores. Já o Alianza Lima, por mais que tenha a tradição a seu favor, não assusta. Sim, é um clube que possui suas qualidades, mas está atrás do Libertad e muito tecnicamente muito distante dos brasileiros. Com isso, deve ser o lanterna do grupo sem dificuldades.
Lógico que, em um sorteio, com todas as possibilidades na mesa, o torcedor tende sempre a preferir pelo caminho mais simples. Isso significa a chance de encarar clubes nitidamente menos qualificados e que tenham, por consequência, menores chances de bater de frente com um arrumado e bem estruturado Athletico. Porém, um velho clichê do futebol sempre marca a sua presença em dias de definição de grupos na Libertadores: “Quem quer ser campeão não escolhe adversário.” A história recente do Athletico se reflete nessa máxima. As grandes conquistas recentes do clube tem imensas histórias de superação e vitórias de “Davi” contra os “Golias” rivais. O Furacão tem tudo para brigar pela inédita taça. Tem elenco, treinador, estrutura, projetos e apoio da torcida. E os duelos difíceis da primeira fase podem dar a casca necessária para que a jornada seja vitoriosa ao CAP e a glória eterna seja atingida.

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