Foto: Divulgação/FPF

Se as milionárias e principais instituições de futebol do Brasil, como Flamengo e Cruzeiro, sofrem para equilibrar as contas durante uma inesperada pandemia como a do novo coronavírus, os clubes amadores de Curitiba têm ainda mais dificuldades para manter sua saúde financeira, em um cenário ainda sem definições de retorno nas atividades.

Usualmente, os clubes do futebol amador tem duas principais rendas durante a temporada da Suburbana: com o dinheiro movimentado durante as partidas, por meio da compra de produtos licenciados e a comercialização de comidas e bebidas nas lanchonetes dos estádios; e com a locação do campo e demais estruturas, para as famosas ‘peladas’, partidas de futebol de terceiros, e também para a realização de eventos. Com a quarentena, todas essas possibilidades de movimentação do caixa foram impedidas pelo isolamento social e pelos decretos municipais e estaduais de todo o Paraná.

Nas últimas semanas, ainda, a Taça Paraná, um dos mais tradicionais torneios amadores do estado, foi cancelada pela Federação Paranaense de Futebol. Já a primeira e a segunda divisões do Campeonato de Futebol Amador, que seriam disputadas a partir dos meses de julho e agosto, respectivamente, ainda estão sem uma data definida – e pior: sem a confirmação de que serão realizadas em 2020.

O presidente do Operário Pilarzinho, Leandro Andrade, também conhecido como ‘Feijão’, lamenta a crise, mas salienta que o tricolor buscou soluções durante a pandemia. “No início da quarentena, discutimos em que poderíamos auxiliar nossa comunidade e iniciamos uma campanha, em parceria com a CUFA (Central Única das Favelas), para arrecadar e distribuir alimentos para as regiões do Pilarzinho e algumas da Região Metropolitana, como Almirante Tamandaré. Ao todo, já conseguimos quase 50 toneladas de alimentos”, revelou Andrade.

O Operário, atual campeão da Suburbana, também tem promovido a ‘Pilarzinho Store’, com a venda de camisas e outros produtos licenciados do clube, para gerar uma renda extra durante a paralisação. “Não há outra situação para conseguir dinheiro, porque o nosso patrimônio está fechado, sem bar e eventos, então criamos a loja usamos as redes sociais para divulgá-la”.

Sidnei Toaldo, presidente do Iguaçu, também revela que muitos patrocinadores dos clubes amadores também tiveram de suspender contratos, devido a falta de exposição de suas marcas em um campeonato em suspense. “Imagine o impacto para um clube como o Iguaçu, com uma das maiores estruturas entre os times amadores. Temos duas locações, usadas para eventos, que estão simplesmente fechadas há dois meses”, explica.

Toaldo salientou, porém, que o alvinegro da colônia italiana segue em cumprimento das normas de saúde. “Tive uma conversa recente com o presidente da Federação Paranaense de Futebol (FPF), Hélio Cury, e chegamos a conclusão de que entendemos de bola, não de saúde. Então estamos aguardando as orientações da Secretaria de Saúde e do governo do estado”.

Presidente do Conselho Deliberativo do Vila Hauer, Valdir Luiz Dias, vai ao encontro da visão de Toaldo. Ele defende que o clube é ‘legalista’, e que seguirá com as instalações fechadas até que a situação da pandemia esteja controlada. “O Vila Hauer completa 70 anos em 2020 e vive hoje de seus sócios e das partidas que são realizadas por meio de aluguel a terceiros, o que também movimenta a nossa lanchonete. Nossos recursos estão chegando ao fim, mas estamos com as contas em dia. Vamos aguardar o que será decidido pelos órgãos responsáveis”, acrescentou.