“Nasseu” , “OTI” e “vinheram”! MC Ryan SP é criticado após erros de português; veja o que não fazer no Enem

Após memes com deslizes na escrita do cantor, professor alerta que erros básicos de português ainda comprometem estudantes no Enem

Edição Eduardo Teixeira

O cantor MC Ryan SP entrou nos assuntos mais comentados do X (antigo Twitter) na última semana após a web resgatar diversos erros ortográficos em suas redes sociais. A repercussão ganhou força depois da prisão na última quarta-feira (15), durante a Operação Narco Fluxo, conduzida pela Polícia Federal (PF).

O artista é investigado por suposto envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro, e foi justamente esse contraste que movimentou a internet, na qual usuários ironizaram o fato de o mesmo “cara” apontado como líder de um esquema bilionário ser também quem escreveu termos como “Pisicologa”.

MC Ryan ostenta nas redes sociais. Foto: Reprodução/Instagram.

Nas postagens, internautas resgataram diversos momentos de “deslizes” do cantor que rapidamente viraram meme, como “Estava na OTI”, “Vinheram me ver” e “Depôs do rolê!”. Os prints circularam rápido e reforçaram o tom irônico das críticas, transformando os erros em combustível para o humor nas redes. Veja abaixo:

Todos esses erros poderiam ter sido evitados com o hábito da leitura. Quem afirma isso é o professor de língua portuguesa André Guterres, que leciona no Colégio Estadual Professora Albina Muginoski, em Campo Largo. Segundo ele, quem lê com frequência tende, naturalmente, a escrever e se expressar melhor.

Caso MC Ryan SP alerta: erros comuns que podem derrubar a nota no Enem

O professor André também destaca que um dos fatores mais simples, e, ao mesmo tempo, mais negligenciados, que prejudicam a nota final da redação é a falta de prática constante de escrita.

Muitos estudantes cometem erros que passam despercebidos justamente por não desenvolverem o hábito de revisar o próprio texto. Esse treino contínuo não só melhora a fluidez, como também aumenta a capacidade de identificar falhas, principalmente em pontos básicos, como o uso correto da acentuação.

“A escrita é, na verdade, um exercício de reescritas. O aluno médio brasileiro escreve por obrigação e entrega ao professor o que escreveu sem ao menos ler”

afirma André.

Além disso, André aponta que erros considerados “bobos”, como “nasseu” e “vinheram”, muitas vezes têm origem no uso inadequado da linguagem nas redes sociais. Abreviações e vícios de escrita acabam sendo incorporados ao hábito do aluno, que, sem perceber, leva essas formas para contextos formais, como a redação do Enem, o que impacta diretamente na sua nota.

“A maior ‘bobice’ que eles podem cometer é levar termos como esses para a redação (não como menções a falas, mas como parte do seu vocabulário). Além disso, abreviações inadequadas também (como “vc”), também preocupam”

explica professor.

Operação Narco Fluxo: o que diz a investigação

De acordo com decisão judicial que corre na 5ª Vara Federal de Santos, o artista teria utilizado empresas ligadas ao ramo musical e de entretenimento para misturar receitas legais com valores oriundos de atividades ilegais, como apostas clandestinas e rifas digitais. A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 2,2 bilhões em bens atribuídos a Ryan.

Além dele, outros nomes também foram alvos da operação, incluindo o funkeiro MC Poze do Rodo, o empresário Raphael Sousa e o responsável pelo perfil Choquei, além de cerca de 30 investigados. Ryan é apontado pelas autoridades como um dos principais articuladores e lideres do esquema, que teria movimentado mais de R$ 1,63 bilhão.

Segundo a Polícia Federal, o volume total de dinheiro que passou pelo grupo pode ultrapassar a casa dos R$ 260 bilhões. Durante a operação, foram apreendidos veículos de luxo, armas, dinheiro em espécie, além de documentos e equipamentos eletrônicos que devem contribuir para o avanço das investigações.

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