Mal respirou aliviado diante de um aparente controle da pandemia do coronavírus, o comerciante Mateus Eduardo Zanolla, logo viu que teria que enfrentar outros ‘leões’ para manter seu negócio aberto. Dono do Grigliata Casa de Carnes e Hortifruti, Zanolla tinha ainda que encarar a inflação e, por tabela, o preço dos combustíveis e uma guerra do outro lado do mundo. Será que vai faltar carne no mercado? Será que os produtores vão conseguir entregar hortifruti? E mais: será que os consumidores vão continuar comprando?

Logo, Zanolla teve as respostas que precisava e veio uma surpresa positiva. Instalado desde de julho de 2021, no bairro Cristo Rei, em Curitiba, o comerciante entendeu logo que seria uma das principais alternativas de clientes da região. É que com a maior dificuldade em buscar produtos de grandes mercados, o pequeno negócio virou uma opção mais viável na região.

Segundo Zanolla, em entrevista à Banda B, algumas situações típicas do momento da pandemia ajudaram os pequenos negócios aquecer a economia.

“Sentimos que as pessoas estão procurando mais perto de casa, não se locomover mais longe, possibilidade de ir a pé ou bicicleta, principalmente. Outro fator que ajudou nas vendas é o próprio home office. Alguns clientes correm rapidamente no mercadinho, não querem passar por grande filas de supermercados”, falou à Banda B.

Segundo o levantamento feito pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o Paraná tem 23.915 minimercados, mercearias e armazéns, sendo 82,57% do total de negócios ativos no setor supermercadista. Já em Curitiba, o número é de 2.844 minimercados, mercearias e armazéns.

Comércios parceiros

No outro lado da capital paranaense, no bairro Vista Alegre, os comerciantes se conhecem pelo apelido. Conversam um com outro de porta em porta. Desta forma, perceberam que houve uma melhora econômica em 2022 e os desafios estão sendo vencidos pelos pequenos negócios, mesmo com a alta dos combustíveis e da inflação. Um pequeno empresário recomenda o outro na região.

Superação: pequenos comércios de bairro em Curitiba aquecem economia frente à alta dos combustíveis
Comércios ficam um ao lado do outro. Foto: Google Maps.

O cabeleireiro Dirceu Desplanches, dono do Salão Unissex Desplanche’s, acredita que essa união dos comércio de bairro faz toda a diferença. Para ele, o preço mais baixo é um dos fatores que ajudam o cliente na escolha pelo comércio local.

“Trabalho de segunda a sábado, faço cortes femininos, masculinos e infantil. As pessoas procuram qualidade e preço também. Este ano está sendo bem bom. Pessoas da região procuram o meu trabalho. O segredo, neste momento, é ir à luta”,

argumentou Dirceu.

Não tem tempo ruim para Desplanches. Sempre de máscara, o trabalhador tem agenda cheia durante o dia inteiro.

Confira no vídeo abaixo um pouco da rotina do microempresário:

O setor de serviços – que Dirceu faz parte – é o principal gerador de empregos no país. As micro e pequenas empresas contrataram, no Paraná, 5.283 pessoas em 2021.

Na porta ao lado, Pedro Henrique Leon é dono do pet shop Leonpet. Ele diz que a expectativa para o restante do ano de 2022 é a melhor possível nos pequenos comércios. Entre um atendimento e outro, o bairro ganha muito com abertura da novos pequenos negócios.

Ouça o que diz Leon:

Geração de emprego

A consultora do Sebrae, Marcia Giubertoni, explica que as micro e pequenas empresas têm uma facilidade maior em contratar. No Paraná, os pequenos negócios fizeram 8.768 contratações, em março.

“As micro e pequenas empresas ocupam um espaço importante na geração de empregos. Estamos na casa de 60% de empregos gerados pelas pequenas empresas. Foram as que mais contrataram nesse período de pandemia e fazem isso de forma mais rápida que as grandes empresas. Os donos conseguem implementar uma mudança de maneira muito ágil. Já nas grandes, uma decisão precisa passar por vários departamentos”, explicou para a reportagem.

Durante a pandemia, de acordo com Giubertoni, as pessoas optaram em não se deslocarem para as grandes empresas. “As pequenas empresas conseguiram atender as pessoas próximas às residências. Agora, tem o fator do combustível também, que favorece tudo que fica perto de casa”, comentou.

O presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), Camilo Turmina, lembra que os comércio de bairros são essenciais no período de retomada econômica.

“As micro e pequenas é empresas, até pelas estatísticas do Sebrae, mostram que são grandes vetores de novas vagas. É onde mais se emprega. Neste momento, na hora de recuperação da economia pós pandemia, são de um importância crucial, em todos os sentidos atuando como fomentadores de renda e empregos”, afirmou à Banda B.

Motivos da inflação

O professor de economia Fábio Dória Scatolin, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), comenta que a inflação brasileira tem características únicas em relação a outros países.

“O Brasil passa hoje em um momento difícil da economia por conta da aceleração da inflação. Já está atingido 12% ao ano. A origem está em causas externas de um lado, como a alta da energia, puxada pelo petróleo. Mas também tem as causas internas, como a taxa de câmbio no Brasil que desvalorizou o dólar em 12 meses. Aqui no Brasil, a inflação é um pouco mais elevada que no resto do mundo”, disse.

De acordo com Scatolin, as micro e pequenas empresas são fundamentais para o Brasil e economia do país depende delas. “Elas são essenciais para a economia, principalmente, na geração de empregos. Mais 27% do nosso Produto Interno Bruto (PIB) é gerado por essas empresas“, concluiu.

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Superação: pequenos comércios de bairro aquecem economia de Curitiba frente à crise

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