Seja quem for eleito no dia 30 de outubro, o próximo presidente do Brasil terá um cenário ainda mais desafiador na economia. Um dos principais desafios está no equilíbrio das contas públicas do país. O cenário pouco favorável pode ser motivado por diversos fatores e um deles é o freio de mão puxado na política monetária. Afinal, não será possível para a atividade econômica manter o ritmo de crescimento atual com uma taxa de juros básica (Selic) em patamar elevado, de 13,75% ao ano.

De acordo com o economista e professor da PUC-PR Jackson Bittencourt, o próximo presidente do Brasil terá dois grandes desafios. O primeiro deles está na inflação alta, que fará com que a taxa de juros permaneça elevada. “A taxa de juros é um mecanismo que o governo tem de controlar preços, um juro mais elevado faz com as pessoas diminuam as compras e as empresas diminuam a atividade econômica. Isso a gente está vendo no mundo inteiro”, diz.
“Há um temor dos mercados internacionais de que a gente tenha um 2023 fazendo o mundo andar de lado. Isso é ruim porque somos grandes exportadores de produtos alimentícios”, complementa
Jackson destaca que o Brasil também passa por um processo de demissões de pessoas com mais de 50 anos. “Um dos motivos é o home office, muitas pessoas não conseguiram se adaptar, não tem interesse ou há problemas tecnológicos. São mais demitidas pessoas nessa faixa-etária. Próximo presidente terá esses problemas de cara: preços elevados e desemprego elevado”.
Teto de gastos
Os gastos públicos podem agir em desemprego e inflação. Seja com políticas de emprego ou desoneração de carga tributária. No entanto, medidas como essas pressionam a dívida pública. Com isso, o teto de gastos estabelece um limite de despesas para evitar maiores problemas na economia.
“Existe um limite e não pode passar. Isso não quer dizer que você não pode investir mais em educação ou infraestrutura. Mas você tem que fazer um movimento tirando dinheiro de outra área. A proposta na minha opinião é muito boa porque ela exige do governo uma gestão mais eficiente do dinheiro público”, diz o economista
Segundo o professor, o mercado financeiro não reage bem a quem não respeita teto de gastos já que a dívida pública começa a aumentar. Se isso acontecer, o economista ressalta que novas alíquotas de impostos comecem a surgir para cobrir os buracos do governo.
Preço dos combustíveis
Nos últimos quatro anos, uma das questões que mais pesou no governo foi o sobe e desce no preço dos combustíveis. O Brasil tem uma política de preços que é atrelada ao comportamento do dólar (mercado internacional).
“O que provocou atrito no preço? A Guerra da Ucrânia com a Rússia, os russos são responsáveis por 9% do petróleo mundial. Essa venda da Rússia ficou comprometida e afetou o mundo inteiro”, explica Jackson
O economista explica que com a alta do petróleo, gasolina, diesel e etanol sobem automaticamente. “Manter os preços gera um buraco para o governo federal e estaduais. Muito do ICMS dos combustíveis vai para educação, saúde. Você reduz a arrecadação dos estados em muitos gastos que são importantes”.
Auxílio Brasil
“O melhor auxílio emergencial é um emprego”, diz Jackson Bittencourt. Contudo, o economista acredita que para isso é necessário promover um crescimento econômico. Nos últimos sete anos, o especialista destaca que o Brasil evoluiu muito pouco em comparação com o potencial que o país tem.
Para o economista, o próximo presidente não pode permitir em hipótese alguma que a população brasileira passe fome. Cerca de 120 milhões convivem com insegurança alimentar e, por isso, o Auxílio Brasil de R$ 600 é tão importante.
“A gente precisa de um planejamento para o crescimento econômico, mas não vi isso em nenhum plano de governo”, diz.
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