Estudos da OMS mostram que 30 milhões de animais habitam as ruas das cidades, acometidos por doenças, maus-tratos e reprodução sem controle. O último levantamento da Universidade Federal do Paraná estima que, dos cerca de 440 mil cachorros em Curitiba, 58% são semidomiciliados , ou seja, têm um dono, mas vivem soltos nas ruas. Já pelo menos 3%, pouco mais de 13 mil cães, são abandonados – sem nenhum tutor. Isso tudo sem contar os gatos de rua. Boa parte desses animais corre o risco de nunca ter um lar, principalmente se tiverem alguma deficiência ou até mesmo pela cor ou idade avançada. Entenda o que está por trás das dificuldades de adoção dos animais de estimação e as orientações para que ela ocorra sem risco de devolução.
Imagem ilustrativa – Divulgação1. Preferência por animais de raças
Para a presidente e fundadora da ONG Fica Comigo, Carla Negochadle, o brasileiro não está preparado para adoção. “Infelizmente, notamos que os brasileiros ainda são muito preconceituosos, escondendo-se atrás de status, e os animais de raça são um grande exemplo disso. As pessoas com baixa renda, por exemplo, preferem juntar dinheiro ou até mesmo ficar endividadas para ter um animalzinho de raça”, conta.
2. Idade
Um dos maiores problemas é que o número de animais que esperam por um lar é maior do que a quantidade de pessoas interessadas em adotar. Segundo o veterinário Alexandre Roa os animais com idade mais avançada estão no ranking dos animais que mais dificilmente serão adotados.
3. Deficiência
Muitos ainda vêem adoção com um grande sonho de consumo. Por isso, adotar um animal deficiente esbarra em questões estéticas, bem como os desafios dos cuidados especiais. “Alguns pets, como os que têm paralisia podem ter dificuldades para fazer suas necessidades básicas como urinar ou evacuar, precisando da constante assistência do dono. Esse tipo de adoção também acaba sendo complicada pelos custos que os cuidados especiais envolvem: medicamentos, aquisição de fraldas e visitas ao veterinário”, conta Roa.
4. Cor dos animais
Algumas questões culturais enraizadas também influenciam nos entraves de adoção de animais. As pessoas, apegados em lendas e superstições, deixam de adotar os cães e gatos pretos, colocando eles na lista dos mais rejeitados. “Tem gente que ainda acredita que gatos pretos trazem azar. Essa rejeição reflete o puro preconceito que está arraigado no ser humano, desde o que o mundo é mundo. Isso excede crença e religião”, acredita Carla.
5. Carências de políticas públicas
Outro fator que contribui para a lotação de ONGs e instituições de proteção animal é a carência de apoio da sociedade e de políticas públicas. Os defensores da causa
pedem que punição legal pelos maus tratos aos animais precisa ser endurecida. Atualmente, ela é classificada como crime de menor potencial ofensivo. E esse cenário dificulta a articulação de programas de controle populacional de animais domésticos nos municípios.
Agentes de mudanças
Papel das ONGs – Segundo Carla algumas ONGs precisam se preparar mais para adoção. “A linha que separa o protetor de animais do acumulador de animais é muito tênue. É muito importante que, antes de doar, os abrigos de animais procurem castrar os animais. A prefeitura de Curitiba oferece esse serviço gratuitamente. Caso contrário, isso se torna uma bola de neve”, alerta.
Adoção responsável – Todo animal adotado passa por um período de adaptação. Principalmente para aqueles que já sofreram algum trauma, essa fase pode ser um pouco maior. O processo exige do adotante informação, paciência e disposição. Quem adota precisa zelar pela saúde, alimentação e afeto do animal e, por isso, antes de decidir é preciso ficar atento às recomendações as recomendações são: converse com toda a família, confira se tem espaço suficiente e avalie se poderá arcar com as despesas de um animal como vacinas anuais, vermífugos, anti-pulgas e cirurgia de esterilização.
Rede de apoio – Carla acredita que ainda é preciso levar mais informação à população. Os veículos de comunicação e as redes sociais podem contribuir na adoção de animais. ”O brasileiro ainda prefere comprar animais, mas eles não sabem como as mães dos animais são tratadas nos canis clandestinos. Um animal de raça ou vira-lata vai trazer a mesma alegria”.
Empresa – Atentos e sensibilizados à causa dos animais abandonados, o Clube Puppyfi – clube de descontos em produtos e serviços para pets,– decidiu, desde a sua criação, destinar 20% do valor da assinatura de cada membro para um fundo que apóia a causa animal. “Nosso projeto tem como proposta incentivar o consumo consciente e o mercado colaborativo. As lojas e estabelecimentos associados, ao participar do clube, reafirmam seu propósito em ajudar animais que carecem de assistência assim como nós”, explica Roa.
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