O Tribunal do Júri de Curitiba absolveu, na madrugada deste sábado (14), os três então integrantes da Torcida Organizada Os Fanáticos acusados pela morte do torcedor do Paraná Clube, Diego Henrique Raab Gonciero, de 16 anos. Por maioria dos votos, os jurados entenderam pela inocência de Juliano Rodrigues (Suk), Fábio Marques (‘Barba Ruiva’) e Gilson da Silva Teles. A família de Diego se revoltou com a absolvição.

Foto: Colaboração

Responsável pela defesa de Suk, o advogado Cláudio Dalledone afirmou que esse era o único resultado possível para o júri. “Não existia como eles serem responsabilizados dessa acusação criminosa. Eu sempre acreditei na justiça e nós comprovamos que os três são absolutamente inocentes. A perícia foi determinante para a decisão da sociedade, já que mostra que a investigação da Demafe [Delegacia Móvel de Atendimento ao Futebol e Eventos da Polícia Civil] andou muito mal. A perícia deu um falso positivo e eu mesmo vou encomendar um expediente para que o perito responda pelo que fez”, afirmou.

De acordo com Dalledone, a decisão é um alerta ao Instituto de Criminalística. “Esse é um dos júris de maior complexidade que já participei. Nós tínhamos um projétil retirado da vítima com cinco raias e deu positivo com a arma do Juliano Rodrigues na ocasião. Ocorre, entretanto, que esse revólver possui seis raias, e isso foi determinante. Nos negaram todas as perícias, negaram contraprova e negaram três peritos que nós trouxemos. Mas, graças a Deus e com um bom conhecimento de balística forense, conseguimos evidenciar com um documento de dentro do processo mesmo a prova”, explicou.

Como a raia é uma espécie de identidade da arma, foi o principal argumento utilizado pela defesa.

Revolta

Para a mãe de Diego, Dorotéia Haab, o sentimento que fica é de descrença na justiça. “Justiça só existe para que não presta. Meu filho era um menino educado, que nunca fez mal para ninguém e foi morto. Sete anos depois, é isso que a gente passa”, lamentou.

Segundo a tia do adolescente, o júri foi um “circo”. “Sete anos de espera e eles saem daqui como se nada tivesse acontecido. Eles vão criar os filhos, vão ver eles fazer faculdade, enquanto meu sobrinho está morto. Falam em complô da Demafe, mas será que o Diego era tão importante assim”, disse.

O crime

Diego foi morto em 30 de junho de 2012. Na ocasião, segundo a polícia, o crime teria acontecido devido a rixas existentes entre torcidas organizadas, tanto de Atlético e Paraná Clube, como entre a Gangue da Ilha e da Torcida Jovem, ambas do Sport, clube de Pernambuco.

Membros da Gangue da Ilha teriam vindo até Curitiba e foram recebidos com festa e churrasco por integrantes da Fanáticos, sua aliada. O mesmo ocorreu com os integrantes da Torcida Jovem, que foram recepcionados por membros da Fúria.

Por volta de 12h30, integrantes da Fúria e da Torcida Jovem faziam um churrasco na sede da organizada do Paraná Clube, próxima à Vila Capanema, momentos antes de irem ao jogo, no estádio. Três carros passaram atirando contra eles e atingiram o adolescente de forma fatal.

Diego era integrante da bateria da Fúria Independente, torcida organizada do Paraná Clube.

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