São inúmeros os tipos de crimes cibernéticos e as formas de enganar as vítimas são das mais criativas, seja por meio de e-mail, plataformas de compartilhamento de fotos e informações ou de trocas de mensagens.

'Hackers' invadem perfis nas redes e atraem vítimas com 'ofertas tentadoras' de produtos
Os criminosos criam ofertas tentadoras para atrair as vítimas.
Foto: Reprodução Instagram.

Em um deles, golpistas têm usado o recurso dos Stories do Instagram para enganar e tirar dinheiro de vítimas, que acreditam estar fazendo um ótimo negócio.

Os criminosos conseguem invadir perfis de usuários da plataforma e então começam a fazer publicações com ofertas “imperdíveis” de diversos tipos de produtos, que costumam ter valores altos, como Iphone, Apple Watch, máquina de lavar, geladeira, sofá, videogame, entre outros.

Nas fotos, os itens estão em excelente estado de conservação, com pouco uso ou mesmo ainda nas embalagens, o que torna a oferta ainda mais atrativa.

“Oii. Quem tiver interesse!! Irei postar umas fotos de uns eletrodomésticos e eletrônicos, motivo da venda minha amiga teve uma perda da irmã dela que faleceu recentemente e ela morava sozinha e vai vender algumas coisas!”,

é como inicia a série de publicações nos stories do Instagram da vítima.

O empresário curitibano Augusto Köech foi surpreendido na tarde desta quarta-feira (6), ao descobrir que havia sido uma vítima da ação.

“Muita gente tá falando comigo, mandando mensagem perguntando se estou vendendo mesmo”, conta. Alguns alertando sobre o golpe e outros relatando que já conheciam e até quase caíram. “Um amigo disse que quase comprou uma geladeira da namorada. Outra contou que a tia dela depositou R$ 3 mil pra comprar um negócio”.

Assim que soube da situação, Augusto acionou a administração do perfil e agora aguarda para ter a conta de volta. “Eles são expertos, mas usam pra maldade. O que me alivia é não estão roubando pra usar meu @, então já vai voltar.”

O empresário logo avisou por os contatos por meio de outra plataforma, para evitar que fechassem negociações e perdessem dinheiro. Augusto lembra ainda da importância de tomar alguns cuidados, que ele confessa que não teve.

“É bom para alertar as pessoas a fazerem a autenticação em duas etapas. Eu só tinha no Whatsapp”.

O delegado Emmanoel David, Delegacia de Estelionato de Curitiba, revela que os boletins de ocorrência têm sido frequentes e em muitos casos a polícia consegue identificar os criminosos e reaver o dinheiro da vítima.

Uma das técnicas usadas, segundo ele, é a chamada “fishing”. Nela, é enviado um link para “fisgar” a vítima.

“A vítima vai clicar nesse link, a vítima vai clicar nesse link e o estelionatário vai ter acesso ao Instagram. É como se a vítima passasse a senha de acesso ao estelionatário”, afirma.

O segundo caso em que a vítima pode perder o Instagram é uma técnica mais avançada, revela ele. “Geralmente às 11h da noite eles ligam para operadoras e pedem portabilidade do número da vítima para outro chip. Infelizmente, algumas operadoras permitem portabilidade por telefone só com os dados”, alerta o delegado.

Teve um aumento significativo nos últimos meses. Colocam várias fotos de objetos, de cozinha, de utensílios da casa. Ou estão indo viajar e está se desfazendo dos objetos, ou um amigo vai viajar e está se desfazendo, ou alguém morreu”, relata Emmanoel.

A orientação da polícia é fazer prints de todos os pagamentos eventualmente feitos e das contas utilizadas, além de registrar boletim de ocorrência. São detalhes que contribuem com as investigações e com o objetivo de conter os criminosos e evitar novas vítimas.

“O próprio Instagram pode passar informações do número de IPs de onde os estelionatários estão atuando.”

“Ia depositar R$ 3 mil”

Há dois meses, a analista de marketing Lelaine Schumack foi vítima do mesmo golpe, inclusive com as mesmas fotos e mensagens. Ela entendeu que a conta foi hackeada no momento em que clicou em um falso link dentro da plataforma.

A analista de marketing fazia uso das redes e curtiu uma página de um bar de Curitiba. Em seguida, recebeu uma mensagem de uma outra página, porém com o nome do mesmo bar que havia acabado de começar a seguir.

“Estavam me convidando pra me cadastrar pra receber infos e promos do bar. E eu não me atentei que não era a página oficial do bar. “Aí foi meu erro. Com o link, eles acessaram meu perfil com meus dados e, em segundos, mudaram senha, telefone e e-mail para acesso à rede”.

Ela perdeu o perfil e se deu conta apenas quando um colega de trabalho questionou sobre um Play5 que estava anunciado para venda nos Stories do perfil dela.

“Duas pessoas quase caíram. Uma delas queria comprar dois produtos. Só não chegaram a fazer o Pix para os criminosos porque ela tentou contato com eles pelo Whatsapp. Eles chegaram a pegar uma foto do meu Insta pra aplicar no Whatsapp. O que elas estranharam era que o DDD era 011 e tentaram ligar pra mim. Aí sacaram que se tratava de um golpe. Ela ia depositar R$ 3 mil.”

Lelaine conseguiu resgatar a conta da plataforma dois dias depois, depois de um estressante processo para a recuperação.

“O processo de recuperação é bem chato. Várias etapas pra provar que eu sou eu mesma. Tive que entrar em contato com o suporte do Instagram, relatar quanto tempo eu tinha a conta, se eu já havia mudado meu nome na rede e várias outras informações sobre meu histórico com a rede social.”

A vítima também abriu um boletim de ocorrência, para evitar novos transtorno mais adiante. “É desesperador saber que tem alguém se passando por você. Fiquei com muito medo que alguém caísse no golpe e viesse me cobrar posteriormente.”

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‘Hackers’ invadem perfis nas redes sociais e atraem vítimas com ‘ofertas tentadoras’ de produtos

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