O objetivo do novo decreto da Prefeitura de Curitiba, divulgado na manhã desta terça-feira (21), que adota novas regras para funcionamento de atividades comerciais na capital durante a pandemia do coronavírus, é provocar uma quarentena aos fins de semana. A principal proibição é a abertura de mercados de qualquer porte aos domingos, feiras e de todas as atividades não essenciais.
A secretária municipal de Saúde de Curitiba Márcia Huçulak acredita que são nos fins de semana que ocorrem as transmissões do vírus. “Domingo de sol o Parque Barigui estava cheio, é quando a família quer pegar os filhos e passear, visitar. São os dias que acontecem aglomerações. Isso não pode, a principal transmissão é a familiar. Por isso fechamos o comércio aos fins de semana, não se abre nada sábado e domingo, temos de fazer uma quarentena em Curitiba aos fins de semana”, garantiu a secretária.
Comércio de rua em Curitiba. Foto: SMCS
No entanto, o mesmo decreto autoriza a abertura de academias, atividades religiosas e amplia horários de comércios de rua de segunda a sexta-feira.
Para Huçulak, não há qualquer flexibilização quanto a essas medidas. “O horário do comércio está sendo ampliado por questão do horário de ônibus, para evitar aglomeração dentro das lojas, para que se dilua o atendimento. As academias foram abertas após discussão amplas, reuniões, discutimos protocolos e vamos fiscalizar. Liberamos para esse grupo de profissionais trabalhar, para o cidadão praticar uma atividade física com protocolos, respeitando os nove metros quadrados, máscara, limpeza de aparelhos. Parques continuam fechados porque lá as pessoas relaxam, não usam máscaras, se aglomeram, e nas academias é uma atividade individual”, defende.
Atividades que causam aglomeração, conforme critérios da Secretaria de Saúde, continuam proibidos, como bares, eventos, teatros, parques e praças.
Ciclo
Segundo a secretária, o vírus tem um ciclo, que pode apresentar queda no número de doentes em agosto. “Observando o que aconteceu na Europa, em outros países, ele tem um ciclo, isso não significa que acontece, é uma previsão epidemiológica, um pouco mais, um pouco menos, é uma previsão. Mas tende a cair em agosto. Essa é a nossa experiência, visto que 65% das síndromes respiratórias agudas graves no Brasil estão aqui no Sul – Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, junto com São Paulo e Minas Gerais. Já há anos a gente vê isso acontecer, mas não é uma regra”, disse a secretária.
Para Huçulak, nem mesmo um lockdown em Curitiba fará o vírus desaparecer. “Existem vírus e esse estará conosco, teremos de aprender a conviver com ele, até que tenhamos vacinas. Imaginam que o vírus vai embora por milagre, mas não vai. Estamos vivendo isso 24 horas por dia, até porque é nosso dever, nosso ofício, e o que podemos afirmar aqui é que a sociedade está cansada”, lamentou a secretária.
Entre os grupos que pedem a abertura e outros que defendem o fechamento, a Prefeitura de Curitiba acredita no equilíbrio. “Temos de achar a medida de virtude. Nossa equipe trabalha olhando para os dois lados. Nós optamos pelo caminho do bom senso, da tolerância. Com ajustes e parceria com a sociedade, vamos vencer essa guerra irmanados de mãos juntas”, garantiu.
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