O coxa-branca agredido na Rua Mateus Leme, no Centro Cívico de Curitiba, havia ido ao Couto Pereira apenas pela 2ª vez no último domingo (21), e agora cogita não ir mais.

Com medo, o rapaz de 19 anos passou por vários procedimentos médicos e foi até o Instituto Médico Legal (IML) para a realização do exame de corpo de delito. A Polícia Civil já investiga o caso e tenta identificar os responsáveis pela agressão. A suspeita é de que um grupo de torcedores do Athletico, em dois carros, desceu apenas para isso.
A advogada Luiza Medeiros representa o jovem coxa-branca e conta que os rapazes em momento algum quiseram se envolver na confusão. “Ele retornava para casa quando primeiro um veículo Celta parou. Nisso, dois meninos desceram e imediatamente foram para cima dele. Na sequência, foi um Ômega. Primeiro ele [vítima] pensou que seria uma ajuda, mas também desceram para as agressões”, lamenta.
O crime aconteceu por volta das 20 horas, cerca de duas horas após o encerramento da partida entre Coritiba e CSA, nas proximidades do Shopping Mueller.
Medeiros destaca que os torcedores envolvidos na confusão foram surpreendidos. “Eles [vítimas] não são meninos de briga, eles estavam apenas voltando para casa. Foram essas outras pessoas que desceram apenas para brigar”, conclui.
Segundo a advogada, o jovem de 19 anos passou por tomografia no peito e na cabeça por causa das lesões. Os demais agredidos estão bem, mas todos tiveram a camisa do Coritiba levada.
Terminal Cabral
Horas antes, uma situação parecida aconteceu no Terminal Cabral. O estudante Matheus Turko, de 19 anos, foi à Arena da Baixada pela primeira vez, a convite da irmã Larissa, de 23. A ideia era comemorar o título do Athletico na Copa Sul-Americana e receber o time campeão que voltava com a taça de Montevidéu, onde venceu o Red Bull Bragantino, na decisão. Na volta para a casa, os irmãos encontraram torcedores do Coritiba o Matheus acabou perdendo a camisa do clube.
As imagens também viralizaram nas redes sociais.
Investigação
De acordo com o delegado Luiz Carlos de Oliveira, da Delegacia Móvel de Atendimento ao Futebol e Eventos (Demafe), a corporação já apura e tenta identificar os agressores de ambas as situações. “São cenas lamentáveis, de intolerância esportiva, onde torcedores são acuados para que percam a camisa e isso sirva de troféu. Nós estamos acostumados a ver cenas como essas, por isso somos favoráveis ao crime de intolerância esportiva, para que a Polícia Civil tenha ferramentas para atuar e prender essas pessoas”, disse.
A lei citada é proposta pelo deputado paranaense Stephanes Junior (PSD). Ela prevê aumentar as penas dos crimes previstos nos artigos 39-C e art. 41-B, se o tumulto ou incitação à violência ocorrerem por meio eletrônico, por redes de computadores ou de redes sociais; prevê o crime de invasão de local restrito aos competidores em eventos esportivos de forma autônoma, além de prever o crime de ameaça ou incitação à prática de atos violentos, por razões de intolerância esportiva, todos inseridos na Lei nº 10.671, de 16 de maio de 2003 – Estatuto do Torcedor; aumenta as penas dos crimes de homicídio (art. 121) e lesão corporal (art. 129), quando praticados em razão de intolerância esportiva, ambos previstos no Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal.
O delegado cita que os criminosos estão dos dois lados. “É um absurdo, o Coxa subiu, o Athletico foi campeão e ninguém pode comemorar? É a barbárie e uma questão de educação, mas se não colocar essas pessoas em cana, isso vai continuar acontecendo”, descreveu.
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