Após as polêmicas por conta do restauro, o Teatro do Paiol está recebendo os últimos ajustes para reabrir as portas neste fim de semana. A Prefeitura de Curitiba informou que está finalizando as obras de iluminação cênica e de paisagismo no icônico prédio da cultura curitibana.

Foto: Pedro Ribas/SMCS

Em dezembro do ano passado, a reforma do Teatro Paiol, um dos pontos turísticos de Curitiba, causou revolta nas redes sociais. Isso porque o trabalho feito pela Prefeitura tirou da estrutura do tradicional teatro o aspecto envelhecido que lhe era característico.

A polêmica chegou ao arquiteto responsável por cuidar dos restauros no Paiol, que disse não ter sido consultado. A Prefeitura de Curitiba informou que a obra ainda não tinha sido concluída e o arquiteto responsável pela conversão em teatro nos anos 70 foi chamado para colaborar com o restauro.

Nesta quinta-feira (2), o prefeito Rafael Greca acompanhou a finalização dos serviços de restauro e recuperação que o município fez no prédio e convidou os curitibanos para a reabertura oficial do espaço.

“É com alegria que terminamos o restauro e a completa recuperação do telhado e dos rebocos do nosso venerável Teatro do Paiol […]. Com os testemunhos de antigas marcas do tempo, o prédio, que já foi paiol de pólvora, e que a partir de 1906 passou para o município de Curitiba, está agora preservado nos nossos 330 anos”.

afirmou o prefeito Rafael Greca

O prefeito lembrou que o show Pérolas Negras, com as cantoras Alaíde Costa, Eliana Pittmann e Rosa Marya Colin, vai marcar a reabertura do teatro para o público. Serão duas apresentações, neste sábado e domingo (4 e 5/3), às 20h.

O show especial e a reabertura do Paiol fazem parte das comemorações dos 330 anos de Curitiba e dos 50 anos da Fundação Cultural de Curitiba. Os ingressos, a R$ 40 e R$ 20 (meia-entrada), estão à venda na plataforma Deubalada.com.

Foto: Pedro Ribas/SMCS

Ícone da cultura

Símbolo e ícone da cultura curitibana, o Teatro do Paiol ocupa uma edificação histórica que começou a ser construída em 1897, no bairro Prado Velho. Agora, passou por uma grande reforma estrutural, especialmente para reforço da parte externa e do telhado. 

Segundo a Prefeitura de Curitiba, a obra foi necessária e emergencial devido às graves infiltrações que atingiam o imóvel. Toda recuperação foi precedida de estudos técnicos e o projeto foi feito por arquitetos especializados em patrimônio histórico.

O projeto apresentado pela Fundação Cultural de Curitiba (FCC) foi aprovado pela Comissão do Patrimônio Histórico e Cultural (CAPC) e submetido ao programa Cultura: Preservação, Promoção e Acesso do governo federal e também teve aprovação do Conselho de Arquitetura e Urbanismo/PR.

A pintura não foi feita com tinta, de acordo com a prefeitura. A técnica usada é a pintura à base de cal, para a proteção da alvenaria e que, com a ação do tempo, gradualmente devolverá o caráter rústico da fachada da edificação. 

As obras no Teatro do Paiol foram feitas para aumentar a durabilidade e melhorar as condições de uso do imóvel que estava em processo de degradação das paredes, graves infiltrações, com risco inclusive de colapso de toda a estrutura. A obra da Prefeitura de Curitiba garante o uso do Teatro do Paiol, com segurança, por pelo menos mais 50 anos.

Múltiplos usos

O Teatro do Paiol teve múltiplos usos em sua história. O local foi utilizado pelo Exército Brasileiro como arsenal de pólvora e munições, abrigou arquivos municipais e foi sede de uma diretoria de pavimentação de ruas, até se tornar, em 1971, em um espaço cultural.

Foi inaugurado como teatro com um show memorável de Vinícius, Toquinho, Marília Medalha e o Trio Mocotó. Ao longo dessas cinco décadas, consolidou-se como um espaço cultural de referência no cenário nacional e local e uma das principais atrações turísticas de Curitiba.

Cadastrado como patrimônio histórico, o imóvel até hoje mantém suas características originais, com configuração de construção romana em forma circular. No início dos anos 70, na esteira das transformações urbanas implementadas pelo ex-prefeito Jaime Lerner, a edificação passou por um ousado projeto de reciclagem e transformou-se em teatro de arena, com capacidade para 217 lugares.

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