Um festival que vai muito além de agradar vários gostos musicais, mas que reúne tribos das mais distintas e faz com que todos se sintam iguais. Essa é a essência que podemos tirar do Festival Coolritiba, que aconteceu neste sábado (20), na Pedreira Paulo Leminski, em Curitiba. Aproximadamente 20 mil pessoas acompanharam as mais de 14 horas de música, e esperaram até o fim para assistir às três cerejas do bolo: Sandy, Gilberto Gil e Marisa Monte.

Sandy, Gilberto Gil e Marisa Monte fizeram os melhores shows do festival. Fotos: Lucas Sarzi/Banda B.

Neste ano, a estrutura foi diferente e o palco da Pedreira Paulo Leminski, que já é grande (um dos maiores da América Latina), ficou ainda maior. Foram montados dois palcos, chamados de Cool Stage, que se dividiram em “Lado A” e “Lado B”. 

O festival recebeu nomes como Tuyo (banda curitibana), Liniker, Fresno, Matuê + Teto, L7nnon e Mano Brown, que fizeram shows incríveis e agitaram o público do começo ao fim. Muita gente, inclusive, chegou mais cedo.

Uma das primeiras a subir ao palco principal do festival foi a cantora Agnes Nunes. Com a doçura de uma princesa e o carisma de uma nordestina das mais “arretadas”, a jovem, de 21 anos, mostrou o porquê vem conquistando seu próprio espaço.

À Banda B, Agnes disse que estar na Pedreira Paulo Leminski é uma conquista e uma honra.

“Queria desde já agradecer o convite e dizer que estou muito feliz e me sinto muito honrada em trazer o Nordeste, o nome da música brasileira e um pouquinho de leveza para abrir esse dia lindo. Meu coração está cheio de amor e muita gratidão em estar aqui hoje”

disse Agnes Nunes, cantora

O Coolritiba é uma verdadeira mistura de sons. Agnes disse que se encontrou no festival.

“Eu digo que a liberdade é passarinha, não se prende, deixa voar. Uso essa frase para a música, para a liberdade de você ouvir o que você quiser e ser o que você quiser. Eu sou uma mistura muito louca de vários estilos musicais e acho que nunca vou conseguir me definir como uma coisa só, esse festival é a definição de Agnes”.

avaliou Agnes Nunes

Veja a entrevista com Agnes Nunes:

O agito do público

Quem tocou num horário relativamente cedo, se pensar que o festival começou às 11h50 e ele subiu ao palco às 14h30, foi Alceu Valença. Mas isso não foi problema nenhum, pelo contrário: o público já estava ali o esperando, mostrando mais uma vez a força que tem o som do Nordeste.

Alceu comentou que encara a renovação de público como algo natural. E atribui também à internet o “boom” que fez sua carreira nos últimos anos.

“Totalmente natural, agora com esse negócio da internet a coisa realmente tomou um vulto maior, por exemplo, crianças de até três ou quatro anos. Nossa turma já recebeu mais de dois mil vídeos de crianças que mandaram para o escritório. Temos jovens, temos crianças, temos adultos e pessoas com idade mais avançada […]. Minha música pode tocar em qualquer parte do mundo e acho que a internet democratizou tudo”.

comentou Alceu Valença

Veja a entrevista com Alceu Valença:

A energia dos mineiros

O Brasil é cheio de nomes incríveis que surgiram em Minas Gerais e fizeram história na música: Skank e Jota Quest são dois bons exemplos. No Coolritiba deste ano, o tempero mineirinho ficou com responsabilidade da banda Lagum. 

Os jovens, que misturam sons, mas vieram representando o que podemos considerar como o pop rock atual, disseram que estavam felizes em poder tocar pela segunda vez no festival. 

“São várias importâncias, a primeira é a realização de um sonho: ano passado a gente tocou e é surreal ver a quantidade de público que o festival atinge. E todo festival é uma grande oportunidade para a gente chegar em público que não é o nosso e estando no maior festival de Curitiba é um sonho e a realização dessa possibilidade de alcançar um público que talvez não iria ao nosso show, não conhece nosso som, e por isso é maravilhoso”, 

disse Jorge Borges, guitarrista do Lagum

A banda surgiu em 2014, mas a estrada foi longa para chegar até um palco principal de um festival. Tiveram que ralar bastante. Se lá atrás eles achavam que chegariam até aqui? Eles contam que tinham um sonho.

“Nos primeiros shows o pessoal gostava muito da banda, então eu achava que ia para a frente. Eu não sabia a altura que ia chegar. A gente só tem a agradecer por onde a gente chegou, claro que é fruto de um trabalho que a gente vem construindo ao longo dos anos e a cada ano foi subindo de forma gradual, foi escada por escada, mas isso é bom, é um ponto positivo e a gente fica pronto para encontrar o estado que a gente está. Eu não sei se eu esperava tanto, mas agora eu espero e espero ainda mais, que tenha coisa grande pra gente”.

comentou Francisco Jardim, baixista do Lagum

Veja a entrevista com a banda Lagum:

As cerejas do bolo

Para encerrar aquela que talvez seja a melhor edição do Festival Coolritiba até agora, a cereja do bolo ficou para o final, com três das maiores gerações da música brasileira tocando em sequência. Sandy, Gilberto Gil e Marisa Monte entregaram espetáculos grandiosos, animando o público e espantando o frio da noite curitibana, tocando grandes sucessos cantados a plenos pulmões por todo o público.

A força e o talento destes três artistas dividindo o mesmo festival, inclusive, comprovou o óbvio: mesmo sendo nomes, de certa forma, diferentes entre si, levaram a grande maioria do público a uma sintonia parecida, diminuindo o desinteresse (intencional ou não) de uma pequena parcela das pessoas, que preferiram ignorar os shows do que prestar atenção nos espetáculos promovidos por nossos grandes artistas.

Quando saiu em carreira solo, Sandy chegou a dizer que “queria o público que a quisesse”. Embora sempre tenha sido grande, a cantora muitas vezes preferiu se colocar em patamares menores. À Banda B, disse que estar num festival agora só mostra que ela tem várias facetas.

“Muitas facetas, né? Eu quero o público que me quiser e eu amo muito fazer show pequeno, em lugares pequenos, em lugares até 3 mil pessoas, porque eu sinto o público mais pertinho. O meu repertório apropriado para esse tipo de lugar, tenho muito mais músicas lentas e românticas. Só que apareceram essas oportunidades e eu tenho toda uma história de Sandy e Junior, não é mesmo? Então eu consigo ficar a vontade num palco grande, com público grande, e me sinto feliz”.

disse Sandy

Sandy disse que estar num festival, num palco enorme como o da Pedreira Paulo Leminski (onde inclusive a cantora esteve na turnê Nossa História, com Junior, em 2019), tem outra energia. E ela gostou dessa sensação.

“Tudo é bom. E aí eu fico meio tensa, porque eu penso: será que o repertório agrada esse público, que é um público grandão, assim num lugar grande, mas fiz o GIRLS em São Paulo e foi ótimo, a vibe estava ótima, falei ‘ah, dá para fazer o Coolritiba também’. Estou muito feliz em estar aqui”.

avaliou Sandy

Veja a entrevista com a Sandy:

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Festival Coolritiba 2023 reúne aproximadamente 20 mil pessoas na Pedreira Paulo Leminski; veja como foi

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