O avanço da variante delta pelo mundo abriu uma discussão em torno da aplicação de uma 3ª dose de vacina contra a Covid-19. O Chile, por exemplo, anunciou uma dose de reforço da Coronavac, imunizante que também é aplicado no Brasil. Especialistas ouvidos pela Banda B nesta quarta-feira (11), porém, acreditam que a discussão não cabe no atual momento de pandemia do país.

Foto: SMCS

O professor do curso de Medicina da Universidade Positivo, Marcelo Ducroquet, por exemplo, explica que a discussão só fará sentido após toda a população ter acesso a duas doses de vacina. “Esse debate no Brasil ainda é fora de hora. Mais importante que dar reforço para idosos e imunossuprimidos, é completar vacinação da população geral, apesar de o primeiro grupo ter mais risco da doença. A vacina tem dois objetivos: proteger o indivíduo e diminuir circulação do vírus. Não faz sentido destinar vacina para uma terceira dose quando ainda não temos a população vacinada, o benefício geral seria menor do que completar o esquema vacinal”, disse.

Em julho, o Ministério da Saúde iniciou um estudo para avaliar a necessidade de uma 3ª dose de vacinas para quem tomou Coronavac. A pesquisa, que será realizada em parceria com a Universidade de Oxford e vai verificar a intercambialidade da Coronavac com outros imunizantes disponíveis para a população brasileira.

A infectologista da Prefeitura de Curitiba, Marion Burger, acompanha Ducroquet e acredita que a discussão deve ser feita mais para frente. “A discussão ainda é restrita a estudos clínicos, que vão nos basear a partir do momento que toda a população estiver vacinada. Provavelmente os estudos mostrem que pessoas com mais de 70 ou 80 anos, com envelhecimento no sistema imune, sejam incluídos na necessidade de uma vacinação de reforço, mas não vislumbro isso nos próximos três meses”, comentou.

Ducroquet cita que há até mesmo a possibilidade de uma mistura de vacinas, uma vez que os resultados estão sendo positivos.

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