A família de Dirceu Pazini aguarda por uma resposta há mais de 13 anos, mas ainda não foi  nesta quinta-feira (18) que o júri popular de Jair Godoy aconteceu. O fato determinante para a mudança da data em Araucária, na região metropolitana de Curitiba, foi a ameaça de abandono de plenário feita pelo advogado do réu, Walmir Teixeira.

Dirceu morreu após ser baleado na empresa (Arquivo Familiar)

De acordo com informações confirmadas pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), o defensor alega que o cliente dele não havia sido intimado, informação que é constestada pela acusação.

Para o advogado da família de Pazini e assistente de acusação no caso, Ygor Nasser Salah Salmen, foi apenas mais uma tentativa de Godoy para não precisar responder pelo crime. “Com essa ausência, a Promotoria de Araucária e nós, da assistência de acusação, fizemos um pedido de prisão preventiva para o réu. Desta forma, a juíza sabiamente fez um pedido de comparecimento ao plenário, sob pena de aceitar o nosso pedido. Curiosamente, cerca de 20 minutos depois, Godoy compareceu e pôde ser intimado”, lamentou.

Segundo Salmen, a Justiça não pode aceitar pretextos que adiem julgamentos. “Não podemos concordar com tamanha morosidade, ele [Jair Godoy] é uma pessoa que a todo momento se furta da justiça e busca fugir de seu julgamento”, criticou.

Para resolver o impasse da ausência e suposta falta de intimação, a juíza de Araucária optou por adiar o julgamento para a próxima segunda-feira (22), às 9h. Desta vez, todas as testemunhas e Godoy já estão intimados.

Defesa

O advogado Walmir Teixeira afirma que Godoy fez um pedido para depor no júri e ser intimado sempre presencialmente, mas por um problema de doença não estaria em casa no momento da intimação. “Ele tem cirrose hepática e hepatite C, sendo necessário se deslocar de Aruanã para Goiânia, buscando atendimento quimioterápico, a cada 15 dias. O oficial foi até a casa dele, mas não o encontrou, e assim a juíza decretou a revelia dele. Mas como revelia, se ele quer falar no processo e nunca se omitiu”, questionou.

Alegando a falta de intimação, Teixeira então ameaçou abandonar o plenário por cerceamento de defesa, com objetivo de impedir a realização do júri.

Godoy deve depor pela internet na próxima segunda-feira.

Crime

Segundo denúncia do Ministério Público do Paraná (MP-PR), o acusado teria viajado cerca de 1,2 mil quilômetros para o crime, após ficar insatisfeito com a não entrega de um produto pela vítima. Godoy responde ao processo por homicídio, qualificado por motivo fútil e impossibilidade de defesa.

O crime aconteceu em 20 de fevereiro de 2008, no escritório da então sede da empresa. O acusado fugiu do local com o apoio de um motociclista.

Godoy confessa o crime e afirma que tudo ocorreu durante uma discussão entre os dois.

📲 O Google pode parar de mostrar o portal Banda B. Clique aqui para ver nossas notícias.