O horror que aconteceu em Petrópolis, no Rio de Janeiro, mostra que o Brasil é um país solidário. As correntes de apoio pela internet são muitas. Doações em dinheiro, mantimentos, itens de necessidade básica e medicamentos estão chegando de todo o país. Os números de mortos e desaparecidos passam de 200. Famílias inteiras foram arrastadas pela água, lama e terra.

Nos próximos dias vamos ouvir histórias de muita tristeza e de heroísmo. Mas também vai começar a busca por culpados, pelos responsáveis por essa tragédia. O presidente Bolsonaro, sempre infeliz nas suas falas em momentos complexos, disse certa vez que a responsabilidade era das pessoas que foram morar em áreas de risco. Agora ele voltou da viagem à Rússia e foi direto para Petrópolis para se solidarizar com o povo e colocar a estrutura do Governo à serviço da população. Infelizmente ele não esteve fisicamente presente nas recentes tragédias de Minas Gerais e da Bahia. Talvez tenha aprendido a lição. Depois das críticas que recebeu, quando enviou apenas os seus ministros para as áreas atingidas e continuou curtindo as ferias no litoral de Santa Catarina.
O presidente liberou 500 milhões de reais para atender aos moradores da cidade fluminense. Dinheiro que vai para o prefeito, que sabia dos riscos iminentes de uma tragédia, porque ele mesmo contratou um estudo para verificar as condições do morros ocupados de maneira desordenada através de invasões ilegais. Petrópolis é uma cidade que já viveu tragédias semelhantes. Em 2002 e 2010 as cenas foram as mesmas de agora. Mortos e desaparecidos no meio de escombros e muita lama. Milhões de reais nas contas da prefeitura e absolutamente nada de concreto para resolver o problema. Culpar quem morreu é fácil, ele não está mais aqui para se defender.
Os prefeitos de Curitiba, alunos da escola de Jaime Lerner e Saul Raiz, foram duros com invasões ilegais em fundos de vale e áreas de risco. Não tinham medo de enfrentar a opinião pública, a ira dos moradores e a politização mesquinha de quem promovia a invasão para conquistar dividendos eleitorais. Área de risco não é lugar de moradia. As pessoas que não possuíam condições eram cadastradas e colocadas em casas populares, só que em áreas mais afastadas da cidade. É claro que nem todo mundo gostava e acabava tentando voltar para o lugar anterior, mesmo ele sendo pior, insalubre e de risco.
Governar não é sair na foto sorrindo, contar piada, fazer discurso fácil. Muitas vezes governar é ser duro, impopular, mas sobretudo responsável. O que aconteceu em Petrópolis é uma junção de populismo barato, demagogia e irresponsabilidade. Não apenas dos prefeitos que desde a época de Dom Pedro II administraram a cidade serrana, mas sim de todas as autoridades cariocas que viram o problema e nada fizeram.
Omissão também é crime.
📲 O Google pode parar de mostrar o portal Banda B. Clique aqui para ver nossas notícias.