Por Alexandre Teixeira*

Dias atrás o presidente Lula fez a primeira reunião ministerial do ano. Foi no meio do mês de março, quase 90 dias desde o início do ano. Muito tarde na opinião de gestores públicos, afinal de contas o governo precisa andar num ritmo diferente do atual. A tal reunião poderia ter sido lembrada pela morosidade dos trabalhos deste terceiro mandato, mas ficou marcada pela bronca pública que Lula deu na Ministra da Saúde, a cientista social, socióloga, pesquisadora e professora universitária Nísia Trindade Lima.

Lula-reunião-ministros-Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Nísia veio às lágrimas na frente dos demais ministros diante da descompostura que recebeu de Lula. Todos ficaram constrangidos com o fato. A Primeira Dama Janja da Silva, presente à reunião, se levantou do seu lugar para acolher a amiga. O fato ganhou uma repercussão mínima, não veio nenhuma ativista, nenhuma artista, ninguém, reclamar da atitude de Lula. Imagino se tivesse sido com Jair Bolsonaro, o que teria acontecido com ele.

Lula anda muito irritado e ficou mais bravo ainda essa semana com a divulgação de pesquisas de opinião que mostram o aumento da sua rejeição e queda na popularidade. A última pesquisa, feita pelo DataFolha, mostrou que 35% dos brasileiros acham que a gestão está ótima ou boa, enquanto 30% acham regular e 33% ruim ou péssima. Estes números são como uma bomba no Palácio Presidencial. Lula disparou não apenas contra Nísia, mas também contra a imprensa e contra os demais ministros, que deveriam estar divulgando os números positivos do governo.

O governo pode até ter alguns números positivos, principalmente na economia graças ao trabalho realizado no Governo Bolsonaro e ao bom momento do agronegócio, mas as pessoas não acreditam. 58% da população brasileira acha que Lula fez menos do que ela esperava, 43% dos evangélicos reprovam o presidente, principalmente depois das suas falas contra o povo judeu. A sua rejeição bate recordes na Região Sul, entre as pessoas com maior instrução e maior renda. Já a popularidade de Lula continua bem entre quem ganha até dois salários mínimos, pessoas com menor grau de escolaridade e na região Nordeste.

Se Lula continuar assim, se nada acontecer de extraordinário, se as coisas no seu governo não tomarem outro ritmo, as chances de fracasso nas eleições municipais deste ano serão enormes. O presidente sabe disso, luta como um leão solitário, mas as suas falas improvisadas, seu alinhamento mundial com o que existe de pior, como Rússia, Venezuela e Cuba, a sua perseguição implacável pela prisão de Jair Bolsonaro, não ajudam em nada a mudar este cenário. Lula se elegeu prometendo unir o Brasil, mas faz o contrário, estimula a polarização, busca a paz na Faixa de Gaza, enquanto promove a guerra entre os próprios brasileiros. Essa é a triste realidade nacional. O povo paga a conta pela falta de empatia e visão dos seus políticos.

*Alexandre Teixeira é jornalista e atua desde a década de 1980 na coordenação e gestão de campanhas políticas. O texto não reflete necessariamente a opinião do Portal Banda B.

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