Por Alexandre Teixeira*

O presidente Lula indicou para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal o seu ministro da Justiça, o senador licenciado Flávio Dino. Natural do Maranhão, Dino foi juiz federal antes de entrar na vida pública. Foi deputado estadual, governador do seu estado por dois mandatos e elegeu-se senador na última eleição. É um dos ministros mais próximos de Lula, e filiado ao PSB, mesmo partido do vice-presidente Geraldo Alckmin.

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Presidente Lula e o ministro Flavio Dino – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Dino foi muito criticado por ala do PT por ter se colocado como candidato à sucessão de Lula. Desde os atos de vandalismo do dia 8 de janeiro ele ganhou os holofotes e não largou mais. Arranjou encrenca com a Oposição por não ter comparecido por diversas vezes no Congresso Nacional para prestar esclarecimentos sobre suas condutas. Permitiu que seus auxiliares recebessem no Ministério da Justiça a mulher do maior traficante de drogas do Amazonas e líder da facção criminosa Comando Vermelho.

Lula o indicou em meio a uma grave crise entre o Supremo Tribunal Federal e o Congresso. Senadores aprovaram o projeto que reduz o poder o Supremo, mas que deve sofrer alterações na Câmara dos Deputados. Dino vai passar por uma sabatina no Senado Federal. Será um termômetro importante da queda de braço entre Governo e Oposição.

Com a indicação de Flávio Dino, Lula pretende fazer uma mudança na Esplanada dos Ministérios no começo do ano que vem. Já é dado como certo que a deputada paranaense Gleisy Hoffman assume o Ministério de Justiça, que perderá a Segurança Pública, transformada em um novo Ministério e entregue aos partidos da base aliada, preferencialmente ao Centrão.

Se tudo isso acontecer, Lula altera bastante a configuração da eleição suplementar ao Senado Federal aqui no Paraná. Ele tira Gleisy do páreo, lança um nome do PT por obrigação partidária e abre caminho para o deputado federal Ricardo Barros, atual secretário de Indústria e Comércio do Paraná, concorrer com mais chances. A eleição suplementar será para a vaga do senador e ex-juiz Sérgio Moro que está sendo julgado por caixa dois e abuso de poder econômico pelo Tribunal Eleitoral. Moro não irá sobreviver, está sendo vítima de duas ações promovidas pelo PT e pelo PL, partido de Paulo Martins, candidato derrotado ao Senado por Moro na eleição passada. Martins já sonhava com a cadeira de senador, mas o Tribunal Eleitoral já avisou que a vaga de Moro, em caso de cassação vai ficar em aberto até o resultado da eleição suplementar.

As pesquisas mostram que a disputa está embaralhada, mas aqueles que foram os carrascos de Sérgio Moro, no caso Paulo Martins e seu partido e o PT de Lula, vão herdar a rejeição de milhões de eleitores paranaenses. A cabeça do paranaense está assim: quem foi inimigo do Moro é inimigo do eleitor e não vai ter o voto, abrindo a possibilidade para outros nomes fortes da política regional. Teremos um mês de dezembro com muitas emoções.

*Alexandre Teixeira é jornalista e atua desde a década de 1980 na coordenação e gestão de campanhas políticas. O texto não reflete necessariamente a opinião do Portal Banda B.

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A indicação de Dino ao STF e os reflexos no Paraná na análise de Alexandre Teixeira

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