
O Coritiba deve lançar em breve uma metodologia de como se jogar futebol no clube, das categorias de base ao profissional.
Quem revelou a informação foi o head esportivo alviverde René Simões, em uma entrevista ao canal Coxanautas na última sexta-feira (11). E a base da proposta é uma velha conhecida do brasileiro: a “pelada”.
“Temos que jogar pelada. Estamos construindo um caderno metodológico do Coritiba, e o meu toque será jogar pelada. Acho que o jogador da base tem que vir e jogar uma pelada por 25 minutos. Ele pergunta ‘como vai ser?’, e eu digo ‘vire-se’. Assim vou descobrir o líder, o mais divertido, o mais extrovertido, o mais introvertido, farei a leitura e depois poderá dar caneta, balão, rolinho. Depois eu paro e sistematizo, oriento”, afirmou Simões.
A proposta metodológica integra o pensamento do head alviverde sobre como o futebol brasileiro deva retomar as suas origens.
Ele defende a retomada de um futebol criativo, de movimentação e drible. Um “futebol moleque”, acrescentou, que permite que o atleta jogue e os treinadores ensinem a pensar, decidir e executar da melhor maneira em campo.
“Temos que botá-los para fazer isso, lembrá-los que hoje se joga em um espaço de 60 por 40, de campo society, não joga todo mundo espalhado em campo. Se você dominou a bola, já tem três marcadores, e logo mais vamos ter espaço de futsal em campo, de 20 por 40. É preciso que o jogador tenha um cognitivo muito rápido, que trabalhe mais em equipe, com leitura de jogo”, explicou o dirigente.
Sonho de voltar
Na longa entrevista, Simões falou ainda sobre outros assuntos. A decisão de volta ao Coritiba, clube em que trabalhou no passado como treinador, veio após uma longa troca em conversas com o presidente Juarez Moraes e Silva e o vice Glen Stenger. A posterior participação de Osíris Klamas, outro vice-presidente do verdão, selou o acerto.
“O que me encantou foi a primeira conversa com o presidente Juarez e com o Glen. Eu quase fiz um desafio a eles, que me dessem o escopo da minha posição no clube, imaginei que eles não teriam e eu diria não. Mas, para minha surpresa, eles enviaram um escopo detalhado para a posição de head esportivo. Achei fascinante o que vi, isso não existe em nenhum clube”, pontuou.
Dono de vários restaurantes no Rio de Janeiro, Simões reforçou que a volta ao Alto da Glória não se deu por dinheiro (“se isso tivesse contado, nem teria vindo”), já que o clube vive um momento de reorganização financeira e contenção de despesas. É justamente o fato de quem conduz o clube hoje querer fazer as coisas da maneira certa, como em uma empresa, é que fez ele aceitar o novo desafio.
“Não se negocia com o erro, é o que me deixa animado. O ‘jeitinho brasileiro’ não pode ter lugar. Venho com uma ideia de que tenho que pensar no Coritiba e no futebol brasileiro”, prosseguiu. “O Coritiba trabalha com metas, no meu contrato há metas a serem cumpridas. O clube trabalha como uma empresa”.
Reforços e SAF
Na mesma entrevista, Simões refutou a possibilidade da chegada de um novo goleiro neste momento, tecendo uma série de elogios ao atual titular, Alex Muralha. Ele também falou sobre as saídas dos ídolos Wilson – um dos bastidores é que o arqueiro abriu mão de dinheiro para deixar o Coxa – e Rafinha (não estava nos planos e não iria ficar após o fim do contrato, em abril).

Ainda sobre reforços, o head esportivo do Coritiba afirmou que mais reforços devem chegar já pensando no Brasileirão, cujo foco inicial é a permanência, mas com objetivos subliminares maiores.
Simões mencionou que até quatro caras novas podem reforçar o elenco, que já subiu de patamar desde que ele chegou. O clube buscará “oportunidades”, como foram os casos envolvendo o lateral-direito Warley e o volante Andrey.
Para o futuro, além de um “jeito Coritiba” de jogar bola, o torcedor pode esperar por ainda mais crescimento, sobretudo com o advento da Sociedade Anônima do Futebol (SAF), que já vem sendo discutida internamente no Couto Pereira.
“A SAF não vai afastar o torcedor. O dia em que isso vier, estando organizado como uma empresa, valerá muito mais. Cito o Cruzeiro como um exemplo, o clube estava em um ‘PT’, uma perda total, e aceitou o que apareceu. Não será o Coritiba, que está dando passos de organização muito grandes”, avaliou.
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