Com o avanço da imunização no Brasil, diversas pessoas têm relatado febre, calafrios e até sintomas gripais depois de tomar a primeira dose da vacina. No entanto, de acordo com os médicos, não é preciso entrar em pânico. Especialistas garantem os benefícios da vacinação são muito maiores do que o mal-estar momentâneo que o imunizante pode causar.

Em entrevista à Banda B, o médico intensivista do Hospital Marcelino Champagnat, Dr. Nabil Omar Filho destaca que as únicas armas contra o Covid-19 são a vacina, uso de máscaras, higienização das mãos e evitar aglomeração. O especialista ressalta que não existe nenhuma medicação que seja 100% eficaz para frear o coronavírus.

“A melhor precaução é a prevenção, então a gente precisa sempre se cuidar, estando vacinado ou não”, diz

Nabil destaca que as três vacinas aprovadas no Brasil – Coronavac, AstraZeneca e Pfizer – podem resultar em efeitos colaterais. A preocupação com possíveis efeitos adversos da vacinação vêm crescendo desde os relatos de casos de trombose em pacientes que tomaram a AstraZeneca no Reino Unido em abril deste ano. Segundo o médico, a trombose pode ser tratada, por isso, não deve ser um motivo para não tomar a vacina contra a Covid-19.

“Vale a pena se vacinar e é a única forma que temos de retomar a normalidade o quanto antes”, destaca o especialista

De acordo com o médico, com a vacinação em massa é normal que os pacientes tenham efeitos colaterais e alguma forma de reação a essas vacinas. Nabil enfatiza que o indivíduo precisa pesar o custo benefício de tomar o imunizante contra um mal-estar que é momentâneo. “A gente não pode se dar ao luxo de achar que o benefício é menor que o risco e largar mão de fazer uso da vacina”, diz.

Posso pegar Covid-19 mesmo depois de vacinado?

Muitos pacientes se recusam a tomar vacina contra a Covid-19 por medo de seus efeitos colaterais. Foto: Ari Dias / AEN

De acordo com o Dr. Nabil quem tomar a vacina contra a Covid-19 também está sujeito a desenvolver diferentes formas da doença. No Hospital Marcelino Champagnat, há pacientes que deram um intervalo ideal entre as duas doses do imunizantes, mas que estão internados de forma grave pelo coronavírus. Com isso, é possível pegar a doença mesmo depois de vacinado.

O médico lembra que as vacinas levam alguns dias para fazer efeito. Segundo ele, existem pacientes que foram infectados pela doença antes do imunizante começar a trabalhar no organismo. “Tivemos um paciente que ficou com um quadro (de Covid-19) uma semana após e de dai ficou com sintomas persistentes. Ele foi submetido ao teste do Covid e estava infectado”, afirma.

O especialista recomenda que se os sintomas de possíveis efeitos colaterais da vacina permanecerem por mais de 72 horas, o caso seja avaliado por um médico.

“A testagem é o nosso método mais eficaz de diagnóstico, por mais que foi vacinado a gente não deve acreditar que é um efeito colateral. O efeito colateral é limitado, uma forma do corpo reagir a um componente estranho que está sendo colocado e que está nessa fase de treinamento do sistema imunológico”, destaca

Com o atendimento hospitalar, o profissional vai constatar se há ou não a necessidade de submeter o paciente a um teste PCR, que vai identificar se ele está ou não infectado pela Covid-19.

Efeitos colaterais podem ser um bom sinal?

Algumas pessoas tem maior sensibilidade a resposta inflamatória da vacina e desenvolvem sintomas, diz especialista. Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

O Dr Nabil explica que as vacinas são pedaços do vírus inativado que são colocados no corpo e que recebem uma resposta do organismo. No caso, o corpo entende que a proteína que está sendo colocada nele é um corpo estranho e reage com uma resposta inflamatória a substância desconhecida.

De acordo com o médico, algumas pessoas tem sensibilidade diferente contra essas respostas inflamatórias e desenvolvem sintomas sistêmicos, que representam uma reação do corpo ao componente depositado através da vacina. Segundo o especialista, essa forma de resposta pode variar de pessoa para pessoa.

“Existem pessoas com um sistema imunológico agressivo ao corpo estranho. Mas não é porque eu tive mais sintomas que eu to mais protegido”, diz

Segunda dose também pode dar efeitos colaterais?

Segunda dose é essencial para completar a imunização, diz especialista. Foto: Geraldo Bubniak/AEN

Sim. Segundo Nabil, uma nova dose da vacina funciona como uma chave e uma fechadura. “Eu apresento um antígeno e o corpo apresenta uma função para quebrar esse antígeno, então essas chaves foram medidas pelos cientistas e com uma dose só o combate é suficiente”, diz.

A apresentação maior de chaves vai ser responsável por completar a imunidade. Em relação aos efeitos colaterais, é possível que o paciente tenha problemas apenas quando for tomar a segunda dose do imunizante. “É uma resposta do paciente a apresentação do antígeno que vai produzir essas chaves para conseguir quebrar o vírus”.

O médico afirma que é independiente do paciente ter tomado apenas uma dose ou as duas, é possível contrair a Covid-19 se as regras prevenção contra a doença não forem seguidas.

Automedicação

De acordo com o Dr Nabil, a procura por atendimentos deve ser feita com cautela devido à lotação das UTIs. Contudo, a depender dos sintomas dos pacientes, os médicos orientam que medicamentos antitérmicos ou de uso corriqueiro podem ser usados. “Vale sempre lembrar, de 24 a 48 horas e no máximo por 72 horas”, afirma. O médico acrescenta que se os sintomas persistirem depois desse período, o paciente precisa procurar atendimento médico. Segundo o especialista, não se pode pegar o vírus por meio da vacina.

No caso, um indivíduo que sente sintomas de Covid-19 depois de vacinado, provavelmente já estava infectado antes de tomar o imunizante. “Essa é uma ideia que muitas pessoas tem mas que está totalmente errada”, afirma o médico sobre a possibilidade de pegar o vírus por causa da vacina.

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