A jovem sul-africana Anne Leigh McKenzie, de 27 anos, foi morta com dois tiros na cabeça cerca de 24 horas após desembarcar no Brasil para reencontrar Ian Alexander Bruder Hay, estadunidense que vivia no País desde dezembro de 2024 e tirou a própria vida após o crime.
Segundo a delegada Magda Hofstaetter, o crime aconteceu na noite de 19 de julho, um sábado, dentro da cobertura onde havia alugado para ficar dois meses, no bairro Batel, área nobre da capital paranaense. A principal suspeita da polícia é que o caso se trata de um feminicídio seguido de suicídio.

“Há indícios de que o senhor Ian tenha atentado contra a vida da sua namorada, Anne McKenzie, a sul-africana de 27 anos, e posteriormente a isso tenha atirado a sua própria vida”, afirmou a delegada em coletiva de imprensa nesta quinta (24).
De acordo com a investigação, não havia mais ninguém no apartamento além do casal. Vizinhos relataram à polícia que ouviram barulhos naquela noite, mas pensaram se tratar de fogos de artifício. Nenhuma testemunha presenciou o crime ou relatou gritos ou pedidos de socorro.
A Polícia Civil só foi acionada no dia seguinte, quando manchas de sangue no teto de um dos apartamentos abaixo chamaram a atenção de uma criança, de 9 anos, e levaram a moradora a acionar as autoridades.

Durante a perícia no apartamento, foram encontrados uma pistola, carregadores estendidos, um carregador caracol, munições e drogas, além de seringas que indicam possível uso de drogas. Todo o material foi apreendido e encaminhado para análise.
“A polícia aguarda agora a conclusão dos laudos para entender toda a dinâmica desse delito e qual teria sido a motivação para ele praticar esse crime contra ela”, acrescentou Magda.
Agressões e contato com as famílias
A Banda B revelou com exclusividade, após entrevista com a mãe de Anne Leigh McKenzie, que a jovem relatou ter sido sequestrada, torturada e ameaçada de morte por Ian Alexander — o mesmo homem que a mataria meses depois.
Em uma vaquinha criada por Anne no início de dezembro do ano passado, ela revelou detalhes do episódio de violência que sofreu enquanto vivia em Houston, nos Estados Unidos. Sem citar o nome de Ian, ela descreveu que foi mantida em cativeiro por um homem com quem morava temporariamente, em 31 de outubro. Segundo a mãe da jovem, esse homem era Ian Alexander.

“A gente conversou com os familiares e com os advogados da família. A mãe dela relatou pra nós que ela conheceu ele [Ian Alexander] no ano passado, nos Estados Unidos, quando ela foi lá pra visitar um ex-namorado. E aí acabou conhecendo ele nessa ocasião. Mas ela não deu mais detalhes do relacionamento entre eles, até porque ela disse que só conversava com esse menino através de videochamadas”, acrescentou a delegada.
Questionada sobre relatos de violência que Anne teria sofrido anteriormente, incluindo as agressões mencionadas por ela na vaquinha online, a delegada afirmou que esses episódios ocorreram nos Estados Unidos, fora da jurisdição da polícia brasileira.
Portanto, a polícia brasileira não deve investigar formalmente os relatos de violência ocorridos fora do país. “Qualquer informação nesse sentido deve ser apurada pelas autoridades do estado do Texas, nos Estados Unidos, onde supostamente ocorreram os fatos”, concluiu.
Mãe não sabia da morte da filha
A mãe de Anne Leigh McKenzie não sabia da morte da filha até terça-feira (22), dois dias após o corpo dela ser encontrado. A família, que vive na África do Sul, não havia sido informada oficialmente sobre o crime.

Procurada pela Banda B, a mãe de Anne, que vive em Pretória, capital administrativa da África do Sul, relatou que não tinha notícias da filha desde sábado (19), data em que ocorreu a morte dela.
A reportagem preferiu não informar os detalhes do ocorrido e encaminhou o contato da mãe às autoridades brasileiras. A Banda B também auxiliou na comunicação entre a polícia paranaense e a família da jovem.
A liberação dos corpos
Procurado pela Banda B, o Consulado Geral da República da África do Sul afirmou, por meio de nota, que está ciente do incidente envolvendo Anne Leigh McKenzie e que atua em conjunto com o Departamento de Relações Internacionais e Cooperação em Pretória para seguir com os trâmites envolvendo o corpo dela.
“O Consulado da África do Sul em São Paulo e o Departamento de Relações Internacionais e Cooperação em Pretória estão cientes do incidente envolvendo a cidadã sul-africana. Estamos prestando apoio e orientação à família no âmbito do nosso mandato, bem como em contato com as Autoridades Brasileiras para facilitar e transmitir os desejos da família em relação aos restos mortais da falecida”, diz o comunicado.
A Banda B apurou que o corpo de Ian Alexander já foi identificado oficialmente pela Polícia Científica do Paraná. No entanto, o corpo ainda não foi liberado pela família. A reportagem tenta contato com o advogado que representa os familiares dele.
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