O caminhoneiro Nilson Pedro dos Santos, acusado de causar uma série de acidentes ao cruzar Curitiba desgovernado, foi condenado a 2 anos e 3 meses de prisão após um julgamento que durou mais de 17 horas no Tribunal do Júri. A sentença foi lida por volta das 4h10 da madrugada desta terça-feira (20), e o juiz determinou a emissão do alvará de soltura, já que Nilson estava preso há 2 anos e 4 meses — tempo superior ao da pena imposta.
Nilson foi julgado por vários crimes cometidos em fevereiro de 2022, quando cruzou Curitiba dirigindo um caminhão sob efeito de álcool e drogas, causando acidentes e colocando a vida de motoristas e pedestres em risco. O Ministério Público do Paraná (MPPR) o denunciou por dirigir embriagado, conduzir veículo em velocidade incompatível com a segurança nas proximidades de locais de grande movimentação e por 16 tentativas de homicídio qualificado, além de deixar de prestar socorro após os acidentes.

No entanto, durante o julgamento, parte das acusações foi desclassificada para lesão corporal e outros delitos. “De certa forma, fez-se justiça. Condenou. Houve a desclassificação, é verdade, em relação ao pedido do Ministério Público, que era a condenação por tentativa de homicídio. Em parte dos fatos, e eram 18, entendeu-se pela desclassificação por lesão corporal”, afirmou o promotor de Justiça Alexandre Ramalho ao repórter Marcelo Borges, da RICtv.
Após a leitura da sentença, Nilson Pedro se ajoelhou no plenário e comemorou o resultado. Além de ter sido condenado a 2 anos e 3 meses de prisão, ele teve a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) suspensa por sete meses. Segundo os advogados do caminhoneiro, caso o júri tivesse mantido as acusações de 16 tentativas de homicídio, ele poderia ter sido condenado a até 68 anos de prisão.
“Houve um julgamento justo. A sociedade analisou as provas. Desde o início, nós estávamos muito confiantes com todas que iríamos apresentar aos jurados. A sociedade hoje fez justiça. Desde o dia que aconteceu esse acidente, ele permaneceu preso, privado de sua liberdade e de sua família”, disse o advogado do caminhoneiro, Tiago Tanaka de Rezende.

“Conseguimos um ótimo resultado. Acreditamos que a justiça foi feita e que a sociedade de Curitiba mais uma vez mostra que neste plenário é feito justiça. Sairemos com o nosso cliente pela porta da frente do plenário da Vara do Tribunal do Júri de Curitiba hoje”, acrescentou o advogado Rafael Mendes.
Nilson Pedro dos Santos deverá deixar a prisão nas próximas horas.
O caso
O caso registrado em janeiro de 2023 começou em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, e terminou na capital — um trajeto superior a 100 km. Nilson carregou o caminhão em Embú (SP), no dia 13 de janeiro daquele ano, com uma carga de quase 16 toneladas, e seguiu para Ponta Grossa, o destino final dele. Durante o trajeto, ele parou o veículo em um posto de combustíveis situado na BR-376 e passou a ingerir bebidas alcóolicas, além de consumir cocaína.
Na manhã do dia seguinte, às 6h27, deixou o posto de combustíveis de forma desgovernada. Enquanto dirigia alterado, ele teria jogado o caminhão contra um carro e o arrastado por alguns metros. Em seguida, atingiu outro caminhão e carro, e fugiu sem prestar socorro. Ao longo do caminho, diversas cargas foram despejadas na pista.
Ao todo, 16 veículos foram atingidos pelo caminhão e várias pessoas ficaram feridas. Nilson Pedro parou o veículo somente no bairro Cidade Industrial de Curitiba, após ser abordado pela Polícia Militar (PM).
“Os relatos testemunhais e vídeos não deixam dúvidas de que o investigado Nilson Pedro dos Santos, de forma consciente, ao conduzir veículo automotor após a ingestão de bebida com teor alcoólico, o uso de substância entorpecente e imprimir velocidade excessiva por vários quilômetros de trecho urbano, desrespeitando as normas de segurança viária, agiu de modo a gerar grave risco aos usuários da via pública, bem como assumiu o risco de produzir eventual resultado lesivo”, diz o MP.
Em depoimento à polícia no dia da prisão, o caminhoneiro afirmou ter “surtado” após ter sido alertado por um colega de profissão que haviam dois homens em cima do caminhão que dirigia.
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