O líder espiritual e professor de yoga, de 63 anos, preso por suspeita de posse sexual mediante fraude, na última sexta-feira (11), usava das fragilidades emocionais das vítimas para praticar os crimes, alegando que ‘emprestaria’ a energia dele como líder para solucionar os problemas. A informação foi divulgada pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR), em entrevista coletiva nesta segunda-feira (14).

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Foto Ilustrativa: Pixabay

O homem foi preso em Florianópolis, no estado de Santa Catarina, por meio do Núcleo de Apoio à Vítima de Estupro (Naves) do MP-PR. O mandado foi cumprido com apoio da Polícia Militar do Paraná e do Gaeco de Santa Catarina.

De acordo com a coordenadora do Naves, promotora de justiça Tarcila Santos Teixeira, as investigações iniciaram a partir de uma busca feita pelas próprias vítimas através de uma procuradora constituída por elas.

“A princípio eram cinco vítimas que em conjunto procuraram uma advogada para se orientar acerca da situação, consignaram os fatos que as envolviam e essa advogada então procurou o núcleo de apoio à vítima de estupro para uma orientação sobre o fato. Recebemos a representação formalizada pela defesa, que consta dos autos, pela defesa das vítimas, e instauramos um procedimento investigatório criminal no âmbito do Ministério Público”

explicou Tarcila.

No decorrer das investigações, todas as vítimas foram ouvidas, além de outras testemunhas. Conforme a promotora, as vítimas – pessoas em condição de vulnerabilidade emocional – eram manipuladas pelas palavras ditas pelo homem.

“Ficou muito claros nesses depoimentos algumas estratégias utilizadas pelo investigado no sentido de plantar nas vítimas a ideia de que ele as estava escolhendo isoladamente, que seriam únicas, para que ele emprestasse a elas a energia dele como líder, como um ser espiritualizado e que já não tem mais apego às questões carnais. Ele explicava para as vítimas que Jesus Cristo tinha grau 7, e ele se dizia um líder de elevação espiritual grau 5”

contou a promotora.

Ainda de acordo com Tarcila, no momento em que as mulheres duvidavam dos atos praticados pelo investigado, ele as fragilizava ainda mais.

“Assim que elas colocavam a mínima indagação, ele dizia ‘quem duvida não merece elevação, não merece o que estou fazendo por você, você não está pronta para esse crescimento espiritual’. Elas começavam a achar que realmente tinham que permitir porque era aquilo que elas precisavam”

afirmou.

O líder espiritual envolvia vários apelos emocionais específicos para cometer o crime, como resolver problemas no trabalho, no relacionamento, até para quem estava com dificuldade para engravidar ou perda de um filho.

“Esses apelos sempre eram lançados por ele, no sentido de, então se você quer ter um filho, eu vou fazer esse sacrifício por você, eu vou te entregar a minha energia para que você tenha um filho com um DNA aprimorado”

explicou Tarcila.

Posse sexual mediante fraude

A promotora também explicou sobre o crime praticado pelo líder espiritual. Segundo Tarcila, as vítimas acreditavam que estavam realizando um procedimento ligado à matriz hinduísta, que trabalha a questão de energias.

“Elas não estavam se relacionando sexualmente com ele, houve uma posse sexual. Relação sexual é diferente, são duas pessoas participando de algo para o que se dispõe. Elas não se dispuseram àquilo. Para elas, aquilo não era uma relação sexual”

explicou a promotora.
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Foto: Eliandro Santana/Banda B

De acordo com as investigações, o homem era dono de uma chácara, em Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), e era considerado líder do clã.

“Uma estrutura muito privilegiada, e lá aconteciam essas práticas, as pessoas ficavam, por exemplo, pernoitando. Existiam atividades que tomavam quase que o final de semana todo, daqueles que eram os participantes desse clã. O investigado era alguém que eles adoravam em todos os aspectos da vida. Os casamentos eram aprovados por ele, a profissão que a pessoa ia desenvolver, o negócio que ia fazer, tudo tinha que passar por ele”

disse.

Outras vítimas já procuraram o Ministério Público do Paraná e relataram outras situações envolvendo o líder religioso.

“Também há indícios da prática de estupro de vulnerável, indícios a partir de histórias relatadas por outras vítimas, mas não há nenhuma prova, nenhum depoimento, nenhuma vítima identificada de estupro de vulnerável. O que há são indicações de alguns fatos, algumas situações que sugerem que houve essa situação. Então, nós vamos agora buscar essas pessoas”

complementou Tarcila.

O homem permanece preso à disposição da Justiça. As investigações continuam.

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