Por Felipe Ribeiro

Foto: Flávia Barros – Banda B

O diretor-geral do Departamento do Paraná (Depen), Luiz Alberto Cartaxo, falou, no final da tarde desta sexta-feira (10), sobre o estado de saúde da agente mantida como refém por mais de 20 horas na Penitenciária Feminina de Piraquara, na região metropolitana de Curitiba. De acordo com ele, que garantiu ter conversado pessoalmente com a agente, ela está “apenas” com um arranhão nas costas e já informou que deve ir normalmente e logo para casa.

“Ela disse categoricamente que essa gravação que está veiculando na mídia, só falou porque estava com estoque no pescoço. Disse ainda que aquilo não corresponde com a realidade e que a qualquer momento pode prestar depoimento para esclarecer”, disse Cartaxo.

A rebelião foi encerrada por volta das 15 horas desta sexta. Para o secretário de Segurança Pública e Administração Penitenciária (Sesp), Wagner Mesquita, o incidente em Piraquara não pode ser caracterizado como “grande rebelião”, uma vez que não há características de crime organizado ou planejamento. “Começou com um evento pequeno, em que uma presa com caco de vidro tomou uma agente como refém e, com as chaves, abriu uma galeria. Isso sucedeu um evento crítico e foi devidamente tratado, seguindo normas internacionais de gerenciamento de crise”, explicou.

Chamado durante as negociações, o juiz da Vara de Execuções Penais, Eduardo Fagundes, disse que as presas reivindicavam melhorias na alimentação e também na rotina do presídio. “O poder judiciário foi chamado para colaborar e chegamos lá com as negociações bastante avançadas. Já havíamos agendado um mutirão carcerário e agora ele será antecipado”, comentou.

Uma das reivindicações das presas falava sobre superlotação, mas o Depen nega que a unidade passe por esse problema. “Nas delegacias de polícia, são 24 vagas para 100 presos, isso é superlotação. Um excesso suportável pode acontecer, porque as vagas nem sempre são condizentes com o número de prisões feitas. 10%, 15% acima da capacidade como acontece em Piraquara, desculpa, não é superlotação”, concluiu Cartaxo.

Artefato disparado atrasou negociação

Um incidente ocorrido por volta das 9h30 da manhã desta sexta-feira atrasou as negociações, quando tudo parecia caminhar para um acordo. Um artefato de fumaça, apontado como sendo um spray, foi disparado por um policial militar.

De acordo com o comandante do 6º Comando Regional da PM, Coronel Cherade Elias Geha provavelmente o disparo foi acidental. “Até o presente momento, o agente foi retirado da operação para a gente dar continuidade a ação e será ouvido apenas em inquérito. O fato ocorreu pela manhã, após uma madrugada inteira de negociação, talvez o cansaço pode ter causado um movimento independente”, disse.

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