Por Elizangela Jubanski
Penitenciária feminina onde ocorre a rebelião – Foto: Banda BA agente penitenciária que está sendo mantida refém há cerca de 15 horas por detentas da Penitenciária Feminina de Piraquara (PFP), na região metropolitana de Curitiba, gravou um áudio (ouça abaixo)em que pede que o Estado tome medidas urgentes. Para ela, se a rebelião que começou na noite desta quinta-feira (9) terminar em morte e tragédia, a culpa será do Governo do Paraná. “A direção até agora, o Depen, não está movendo uma palha pela minha vida, então eu digo que se acontecer algo com a minha vida aqui dentro da Penitenciária Feminina do Paraná foi puramente descaso do Departamento Penitenciário do Paraná que não estão fazendo nada para me tirar daqui. Estão fazendo pouco caso da minha vida aqui dentro e eu pergunto o por que?”, desabafa a agente penitenciária.
Além da agente, outras seis detentas também estão sendo feitas reféns. Inicialmente, a informação no local é que a agente estava ferida no braço, com um corte de caco de vidro. Entretanto, a agente negou que esteja machucada. “Eu estou bem, as presas estão garantindo minha integridade física, eu não tenho nenhum machucado no meu corpo. (…) Mas elas não estão de brincadeira, façam alguma coisa, por favor, não deixem passar mais tempo, vocês estão piorando a situação, por favor. Eu soube que estão dando choque nas presas da tranca, não sei porque estão fazendo isso, parem com isso senão eu vou morrer aqui dentro”, alerta a agente penitenciária.
As reivindicações das detentas são pela superlotação que acontece dentro das celas, a falta de condições dignas dentro do presídio, pela realização de um mutirão judiciário e a presença de Direitos Humanos para liberar a refém.
O motim começou no início da noite, houve negociação, que foram retomadas na manhã de hoje (10). Por causa da rebelião das detentas, as visitas de todos os presos foram suspensas, gerando revolta em familiares que aguardavam desde as 5 horas para entrar no local. O clima é tenso em frente a penitenciária do Estado.
Para ouvir, na íntegra, o relato da agente ouça abaixo:
Resposta
A Secretaria Pública do Paraná (SESP-PR) se manifestou há pouco sobre a rebelião:
“O Departamento Penitenciário do Paraná (Depen) informa que retomou as negociações com as presas da Penitenciária Feminina de Piraquara após um incidente dentro da unidade – quando foi detonado um artefato. O Diretor do Depen, Luiz Alberto Cartaxo de Moura, assim como o juiz da Vara de Execuções Penais (VEP), estão se deslocando até a unidade prisional para ouvir as reivindicações das presas.
Desde o fim da tarde de quinta-feira (9) uma agente penitenciária é feita refém. Até o momento não há informações sobre feridos. Por questão de segurança, algumas detentas que estavam isoladas (seguro) foram transferidas.
Policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), unidade de elite da Polícia Militar, estão à frente da negociação com as presas. A Direção da unidade prisional e o SOE (Seção de Operações Especiais) acompanham as negociações.
Por motivo de segurança dos familiares, as visitas foram suspensas no Complexo Penitenciário de Piraquara até que seja restabelecida a normalidade.
A Penitenciária Feminina de Piraquara tem capacidade para 370 detentas e abriga atualmente 440″
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