O microempresário Marcelo Francisco da Silva, que foi filmado xingando um frentista de “macaco” e “nordestino dos infernos” no sábado (14), em Curitiba (PR), se apresentou à polícia dois dias após o episódio e optou por permanecer em silêncio durante o depoimento. A defesa do suspeito investigado por racismo e xenofobia, porém, afirmou que o ato contra o frentista aconteceu em razão do “alcoolismo”.
Após o depoimento desta segunda-feira (16), o delegado responsável pelas investigações explicou à imprensa que o inquérito policial está em fase inicial e que o suspeito seguira em liberdade por ora. “A apresentação foi espontânea e ele veio acompanhado de dois advogados. Permaneceu em silêncio durante o depoimento e, por enquanto, vai responder em liberdade”, disse o delegado Nasser Salmen, do 7.º Distrito Policial.

A defesa, por outro lado, argumentou que “apesar da gravidade dos fatos, não cabe prisão preventiva”. Segundo Raphael Nascimento, um dos advogados que representa Marcelo Francisco da Silva, o silêncio adotado pelo suspeito durante o depoimento faz parte da estratégia da defesa, embora ele tenha confessado os crimes pelo quais é investigado.
“Ele passa, infelizmente, por uma situação de alcoolismo e uso de drogas. Vamos apresentar isso à Justiça. E isso [alcoolismo e uso de drogas] foi o ponto-chave, que, por conta disso, tem destruído a família dele e a vida profissional. A bebida é a responsável principal, não que justifique”, disse Nascimento em coletiva de imprensa.
Os advogados também afirmam que o suspeito foi “provocado” pela vítima dos insultos. No entanto, eles preferiram não revelar quais seriam as provocações mencionadas. “Nos foi trazido – e apresentaremos provas – de que ele foi provocado. Isso não justifica o ato que ele fez, mas foi provocado. Por conta do alcoolismo e dos problemas psicológicos que tem, a provocação desencadeou tudo isso”, acrescentou Raphael Nascimento.

“O Marcelo responderá, baterá no peito e será responsável por todos os atos que causou, seja criminal ou civilmente”, concluiu o advogado.
A lei 14.532/2023, publicada em janeiro deste ano, equipara injúria racial ao crime de racismo. Desta forma, a pena tornou-se mais severa – com reclusão de dois a cinco anos de prisão, além de multa. Não cabe mais fiança e o crime é imprescritível (não prescreve e pode ser julgado a qualquer momento, independente da data em que foi cometido).
O vídeo
Um vídeo registrado por uma das vítimas das falas racistas e xenofóbicas mostra o empresário ofendendo os trabalhadores no interior de um posto de combustíveis situado no bairro Boqueirão, em Curitiba (PR).
“Eu sou empresário, tenho CNPJ, tenho empresa. Você ganha 4 mil [reais] aqui nessa bost*. Eu pago três vezes mais [que o seu salário] só pra estar aqui te xingando de ‘neguinho’, seu otári*! Nordestino dos infernos! […] Vem do Nordeste pra querer ser gente aqui em Curitiba. Volta pro Nordeste! Volta comer cactos”, diz o homem em um dos trechos do vídeo.
O advogado Igor José Ogar, que defende o frentista ofendido pelo microempresário, disse que seu cliente também foi agredido fisicamente durante o episódio. O jovem afirmou à Banda B que o suspeito se alterou por ter sido advertido para que pagasse por um macarrão instantâneo antes do consumir.
Um grupo de frentistas se mobilizou em frente à Câmara Municipal de Curitiba, na manhã desta segunda (16), para protestar contra o caso. Pelo menos 30 pessoas participaram da manifestação, que foi organizada pelo Sindicato dos Empregados em Postos De Serviços de Combustíveis (Sinpospetro), com apoio da União Geral dos Trabalhadores (UGT-PR).
📲 O Google pode parar de mostrar o portal Banda B. Clique aqui para ver nossas notícias.