O golpe do empréstimo consignado tem feito cada vez mais vítimas. Nesta semana, a Defensoria Pública do Paraná acionou um banco que descontou pagamentos sem autorização de idosos.

De acordo com o Núcleo de Defesa do Consumidor, mais de 100 pessoas foram identificadas como vítimas da ilegalidade cometida pelo estabelecimento bancário.
Em entrevista à Banda B, a advogada Andressa Jarletti, especialista em direito bancário, explicou que são muitas as formas de fraude aplicadas por instituições financeiras.
Segundo ela, o empréstimo consignado costuma ser mais vantajoso que os demais, por oferecer juros mais baixos e prazos de pagamentos estendidos. No entanto, os bancos devem informar todos os detalhes ao cliente, que precisa autorizar a contratação.
“O Código de Defesa do Consumidor determina que os fornecedores de crédito, os bancos em geral, tem que informar o valor total que você vai pagar pelo empréstimo. Não adianta falar só a taxa de juros ou o valor da parcela, precisa informar: você vai pegar R$ 1 mil e vai me devolver R$ 2.200”, disse.
A especialista também ressaltou que as instituições financeiras não podem ligar de modo incessante oferecendo empréstimos.
“Essa prática, que foi proibida pela Lei do Endividamento há um ano, é esse assédio ao consumidor ofertando crédito, como se não houvesse juros, não houvesse riscos. Então, não é o consumidor que foi procurar o empréstimo, é o empréstimo que foi procurar o consumidor. E isso ocorre especialmente com idosos”, afirmou.
Conforme a advogada, uma das modalidades oferecidas pelos bancos é o cartão de crédito consignado. Andressa Jarletti reforçou, ainda, que é preciso ficar atento, porque nesse caso os juros são mais altos e a dívida pode virar uma bola de neve.
“A grande cilada desse cartão de crédito consignado é que, ao invés dele pegar esse valor emprestado, programar o valor inteiro a ser pago e passar a debitar mensalmente, ele fica debitando no salário só o valor dos juros, então você nunca reduz a dívida, como se fosse o valor mínimo do cartão. Vira uma dívida eterna”, destacou.
Por fim, caso você tenha debitado da sua conta um empréstimo sem autorização, o primeiro passo é procurar o próprio banco. Caso o problema não seja resolvido, é possível acionar o Banco Central e até entrar com processo judicial.
“Qualquer cobrança precisa estar contratada. O banco não pode passar a debitar um empréstimo, se você não contratou. Se eles não cancelarem isso e não devolverem o valor que já debitaram nos últimos 30 dias, o ideal é reclamar na ouvidoria do banco, na ouvidoria do Banco Central e no Consumidor.gov”, orientou a advogada.
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