Foram quase 70 dias de luta, mas a paciente Rosane Weber é mais uma moradora de Curitiba que conseguiu vencer a Covid-19. A alta dela aconteceu nesta terça-feira (19) e emocionou a equipe médica do Hospital Marcelino Champagnat, já que médicos e enfermeiros puderam comemorar a saída da última paciente internada com quadro grave da infecção na unidade.
Segundo o hospital, Rosane foi internada dez anos após realizar um transplante de rim. Ela já tinha tomado três doses da vacina quando acabou se infectando com o vírus. Após alguns dias de cuidado em casa, ela foi ao hospital pensando que seria liberada no dia seguinte. Quando recebeu a notícia de que estava com 90% do pulmão comprometido e o rim parado, o choque foi muito grande.
“Essa gravidade tão grande ainda não tínhamos experimentado, nem quando a minha mãe passou pelo transplante. Receber a notícia da internação na UTI e intubação foi bem difícil. Quando foi extubada, fizemos uma visita e ela não conseguia manter o olhar fixo”, relembra a filha Júlia Quadros. “Mas, com o passar dos dias, ela ficou em pé na prancha, foi para o jardim do hospital, colocou o pé na grama…foi só emoção”, comemora.
No hospital, Rosane ficou 55 dias na unidade de terapia intensiva e 14 dias em leito clínico.

Cuidados
O médico intensivista do Hospital Marcelino Champagnat, Marcos Streit, atuou na UTI covid-19 desde o início da pandemia, e conta que poder testemunhar a alta da Rosane é um momento que ficará marcado para sempre. “Acompanhar essa alta é muito emocionante, um marco muito importante porque é a luz no fim do túnel que muitas vezes pareceu estar tão distante”, conta. “Foram dois anos muito intensos, muitas perdas e histórias de superação. Muito trabalho para que os pacientes pudessem voltar para casa, para suas famílias. Ver a UTI sem nenhum caso grave da covid-19 é indescritível”, ressalta Streit.
A psicóloga Viviane Longhi também esteve diretamente envolvida no cuidado à projetista e no contato com a família. “O vínculo que a gente cria nesses casos é muito forte; acompanhamos a luta da paciente pela vida e a angústia da família durante todo o processo. Acompanhar essa vitória da Rosane e todo processo de ressignificação que ela teve é muito gratificante”.
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