Morreu nesta terça-feira (22) o cantor e compositor Erasmo Carlos, aos 81 anos. O artista estava se recuperando depois de ficar internado por dias em um hospital do Rio de Janeiro, com quadro de síndrome edemigênica. A informação foi divulgada por Boninho, diretor da TV Globo. A família ainda não se manifestou.

Quando recebeu alta, no dia 3 de novembro, Erasmo Carlos chegou a brincar com a situação, pois chegaram a dizer que ele havia morrido. “Bem simbólico… Depois de me matarem no dia 30 [de outubro], ressuscitei no Dia de Finados e tive alta do hospital!”, escreveu o artista no Instagram.
Na sexta-feira (18) passada, Erasmo comemorou a conquista do Grammy Latino. Ele ganhou o prêmio na categoria álbum de rock ou música alternativa em língua portuguesa.
Por conta de suas condições de saúde, o artista não pôde comparecer à cerimônia. Ainda assim, deixou claro sua alegria com a notícia do prêmio.
“É tão importante entender o conceito, quanto ouvir a música… Existem várias formas de amor, e eu preciso de todas. Obrigado a todos que contribuíram para mais essa vitória, esse Grammy é o reconhecimento do nosso trabalho. O Futuro Pertence à Jovem Guarda”.
disse Erasmo Carlos pelas redes sociais

Entrevista à Banda B
Em setembro, Erasmo Carlos se apresentou em Curitiba e conversou com a Banda B sobre seu momento atual de vida profissional. O cantor e compositor dos maiores clássicos da nossa música concordou com a afirmativa de estar à frente do seu tempo. Mas segundo Erasmo, isso aconteceu de forma muito natural, sem forçar nada.
“Me enxergo um pouco sim, porque sou muito imaginativo. Começo a ver uma coisa agora, aí daqui a pouco as pessoas já estão em outro papo e eu ainda estou naquilo, visualizo o futuro, a história e a beleza daquilo. Sou observador da vida e isso me faz contar histórias e desenvolver, enquanto as pessoas param o pensamento, eu prossigo. Viajo muito na minha imaginação, isso me faz pensar muito no futuro porque dou cordas à realidade. Solto a linha da pipa”.
Com quase 65 anos de carreira, Erasmo Carlos disse ter muito orgulho da história que traçou ao longo de sua trajetória. Ao mesmo tempo, ele considera ter um plano muito grande de renovação de público, pois disse gostar muito do assunto.
“Penso que, enquanto artista, você tem que fazer coisas contemporâneas, você tem que ver e ser visto. O jovem, se ele gostar de um trabalho que você fez agora, ele vai querer ouvir o que você fez durante a vida. E se ele gostar dos trabalhos que você fez durante a vida, você ganhou um novo fã”.

Por isso, o ‘tremendão’ não parava. E foi justamente com o objetivo de conquistar novos fãs, que Erasmo continuava fazendo coisas novas.
“Sempre estou fazendo coisas novas, porque o novo me fascina. Sempre procuro uma novidade para ser notado. Tenho certeza do meu passado musical. Mas também tenho certeza que quando um jovem ouve o que eu fiz ele gosta muito, então fico feliz com isso porque ganhei um novo fã”.

Grande artista
Nascido na Tijuca, no Rio de Janeiro, Erasmo começou a carreira em 1958 e aprendeu a tocar violão com Tim Maia. Ele sempre foi visto como um dos pioneiros do rock brasileiro e, mais tarde, sua parceria com Roberto Carlos, trouxe um legado enorme no que diz respeito a composições musicais.
Erasmo Carlos foi um dos principais representantes da Jovem Guarda, movimento musical e cultural dos anos 60 e 70 junto com Wanderléa e Roberto Carlos.
Ao longo de seus mais de 60 anos de história na música, Erasmo trouxe ao mundo mais de 500 composições, entre elas as tão conhecidas Além do Horizonte, É preciso saber Viver e uma das mais cantadas por ele, O Bom.
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